Quatro dos principais aeroportos do norte da Itália entraram em estado de alerta após uma redução temporária no fornecimento de querosene de aviação (Jet A-1), combustível utilizado pelas aeronaves comerciais.
A situação foi provocada pelo atraso na chegada de um navio-tanque responsável por abastecer a Air BP, uma das maiores fornecedoras de combustível para a aviação no país. Como consequência, a empresa adotou medidas temporárias para preservar os estoques disponíveis enquanto aguarda a normalização das entregas.
Os aeroportos afetados são Bolonha (Marconi), Milão-Linate, Veneza Marco Polo e Treviso.
Apesar da restrição no abastecimento, as administrações aeroportuárias informaram que não houve cancelamentos nem atrasos significativos relacionados à falta de combustível, e as operações continuam normalmente graças ao apoio de outros fornecedores presentes nos aeroportos.
Companhias aéreas receberam orientação para reduzir abastecimento
Como medida preventiva, a Air BP orientou as companhias aéreas clientes a abastecerem apenas a quantidade de combustível necessária para cada voo.
A prioridade foi concedida a voos de longa duração, missões de Estado e operações médicas, enquanto aeronaves de voos curtos e médios passaram a operar com abastecimento reduzido.
Em um primeiro momento, chegou a ser estudada a emissão de um NOTAM (aviso aeronáutico) com restrições mais rígidas, limitando o abastecimento de algumas aeronaves a cerca de 2 mil litros de combustível, quantidade suficiente para aproximadamente duas horas de voo. No entanto, a medida acabou sendo administrada diretamente pela fornecedora, evitando a publicação de restrições operacionais mais amplas.
Outros fornecedores evitaram impactos nas operações
Segundo autoridades aeroportuárias e fontes do setor, a presença de outras empresas fornecedoras de combustível foi essencial para evitar problemas maiores.
Esses operadores passaram a complementar o abastecimento das companhias aéreas afetadas pela limitação temporária da Air BP, permitindo que os voos continuassem dentro da programação prevista.
Os aeroportos de Veneza e Treviso, administrados pelo grupo SAVE, informaram que contam com múltiplos fornecedores de combustível e que, no momento, não há expectativa de interrupções nas operações.
Motivo do atraso da carga continua desconhecido
Até o momento, a Air BP não informou qual foi a origem do navio-tanque, de qual porto ele partiu nem o que provocou o atraso na entrega da carga.
A empresa também não divulgou uma previsão oficial para que o fornecimento seja totalmente normalizado.
A falta de informações alimentou especulações sobre uma possível relação com os recentes problemas logísticos no transporte marítimo internacional, mas nenhuma autoridade confirmou essa hipótese.
Contexto internacional aumenta preocupação
Embora o episódio tenha sido causado por um problema logístico específico envolvendo um fornecedor, ele ocorre em um momento de maior pressão sobre o mercado internacional de combustíveis para aviação.
Nos últimos meses, as tensões geopolíticas no Oriente Médio provocaram aumento no preço do querosene de aviação e ampliaram a preocupação com a segurança das rotas marítimas utilizadas para abastecer a Europa.
Segundo dados do setor energético, mais da metade do combustível de aviação importado pela Europa chega por via marítima a partir do Oriente Médio, tornando o continente sensível a eventuais interrupções na cadeia de abastecimento.
ENAC descarta relação direta com o Estreito de Ormuz
Apesar do cenário internacional, a Autoridade Nacional de Aviação Civil da Itália (ENAC) afirma que a situação registrada nos aeroportos italianos não está relacionada, neste momento, a eventuais problemas no Estreito de Ormuz.
Segundo o presidente da ENAC, as dificuldades observadas decorrem principalmente do atraso da carga destinada à Air BP e do elevado movimento registrado durante a alta temporada de verão, quando a demanda por combustível cresce significativamente.
O órgão reconhece, porém, que um eventual agravamento da situação geopolítica poderá afetar o abastecimento europeu no futuro, exigindo novos planos de contingência para o setor aéreo.
Situação segue sob monitoramento
Até esta terça-feira (14), não havia registro de cancelamentos de voos atribuídos à limitação temporária de combustível nos aeroportos afetados.
Autoridades aeroportuárias, companhias aéreas e fornecedores continuam monitorando a evolução do abastecimento enquanto aguardam a chegada da carga atrasada e a recomposição dos estoques.
A expectativa do setor é que a situação seja resolvida sem impactos significativos para os passageiros, desde que não ocorram novos atrasos logísticos ou agravamento do cenário internacional.
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