Quatro obras do mestre renascentista Antonello da Messina, avaliadas em dezenas de milhões de euros, foram roubadas no sábado (15) do Museu Regional de Messina, na Sicília, em Itália. O crime ocorreu durante a tradicional Festa da Assunção, que reunia centenas de pessoas nas ruas da cidade natal do artista.
Segundo as autoridades, três ou quatro homens com os rostos cobertos por balaclavas entraram no museu pouco antes das 22h locais e levaram seis obras de Antonello da Messina, considerado o mais importante pintor siciliano do século XV.
Duas das pinturas foram encontradas abandonadas no exterior do museu. A polícia acredita que os criminosos tenham deixado as obras para trás durante a fuga devido à presença de vários transeuntes na região.
Roubo ocorreu durante festa religiosa
Enquanto centenas de fiéis e curiosos acompanhavam, na Piazza Duomo de Messina, a procissão da Vara, realizada por ocasião da Festa da Assunção, os criminosos aproveitaram o movimento da cidade para invadir o museu, localizado a cerca de quatro quilómetros do local da celebração.
O crime ocorreu apesar de haver medidas de segurança em vigor e faz lembrar o assalto ocorrido há cerca de um ano no Museu do Louvre, em Paris, quando criminosos conseguiram fugir com joias avaliadas em milhões de euros em poucos minutos.
O Ministério Público de Messina abriu uma investigação por roubo agravado de obras de arte. Até ao momento, o processo é conduzido contra desconhecidos.
O presidente da Região da Sicília, Renato Schifani, classificou o episódio como “um ato criminoso excecional” e “uma afronta intolerável ao património cultural universal”.
Já o ministro da Cultura italiano, Alessandro Giuli, manifestou “consternação e pesar” e afirmou que o governo está à disposição para “cooperar com as autoridades regionais, que gerem os museus da ilha, dada a sua autonomia especial”.
Polícia procura suspeitos
Após a descoberta do roubo, a polícia montou postos de controlo nos terminais de ferry com destino à Calábria, na noite de domingo. Até ao momento, no entanto, não houve informações sobre a localização dos suspeitos.
As autoridades investigam se o grupo conseguiu deixar a Sicília ou se as obras roubadas continuam escondidas em algum ponto da ilha.
Com o apoio da Unidade de Proteção do Património dos Carabinieri, a polícia segue diferentes linhas de investigação. Uma das principais hipóteses é a de que o roubo tenha sido encomendado por um negociante de arte.
Guardas são investigados
As autoridades também procuram esclarecer por que razão os quatro seguranças que estavam no museu no momento do crime não intervieram quando os alarmes foram acionados.
As câmaras de videovigilância registaram todas as etapas do roubo. Segundo a polícia, os funcionários só perceberam o que tinha acontecido depois que agentes foram até ao edifício para verificar se as duas pinturas encontradas do lado de fora pertenciam à coleção do museu.
“Foi lançada uma inspeção interna para reconstituir cada passo e determinar qualquer responsabilidade imputável ao pessoal de segurança. O sistema de alarme e de videovigilância funcionou. Não será tolerada qualquer zona cinzenta”, afirmou o governador Schifani.
Roubo ocorre após recuperação de quadros em Parma
O caso aconteceu apenas três dias depois de a polícia italiana anunciar a recuperação de três quadros roubados em março de um museu de Parma, no norte do país.
As obras, de autoria de Paul Cézanne, Pierre-Auguste Renoir e Henri Matisse, estão avaliadas em cerca de nove milhões de euros.
A sequência de crimes e recuperações envolvendo obras de arte de alto valor volta a chamar atenção para a segurança de museus italianos e para a atuação de grupos especializados no tráfico e comércio ilegal de património artístico.
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