A Itália enfrenta a quinta onda de calor extremo de um verão marcado pela frequência e pela duração dos episódios de temperaturas elevadas. Depois de semanas de calor intenso, os impactos já ultrapassam as questões relacionadas à saúde e ao clima e começam a pesar sobre a economia do país.
Um estudo do banco holandês Triodos Bank, repercutido pela imprensa italiana, estima que os efeitos combinados das ondas de calor e da seca podem reduzir em aproximadamente 1,1% o Produto Interno Bruto (PIB) da Itália, representando um impacto econômico de cerca de €22 bilhões.
Em toda a União Europeia, o prejuízo estimado pode chegar a aproximadamente €180 bilhões, equivalente a cerca de 1% do PIB do bloco.
Calor extremo afeta produtividade e economia
O impacto econômico das altas temperaturas ocorre por diferentes caminhos. Um dos principais é a redução da produtividade dos trabalhadores, especialmente daqueles que desempenham atividades ao ar livre.
Quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias, trabalhadores podem precisar reduzir o ritmo, adaptar os horários ou interromper determinadas atividades durante os períodos mais quentes do dia.
O calor também aumenta a necessidade de sistemas de refrigeração, elevando o consumo de energia e os custos de empresas e famílias.
Segundo a análise do Triodos Bank, a perda de produtividade do trabalho está entre os principais mecanismos pelos quais as temperaturas extremas afetam o crescimento econômico.
Agricultura e turismo estão entre os setores mais vulneráveis
Na Itália, os efeitos da crise climática ganham uma dimensão ainda maior devido à importância de setores diretamente dependentes das condições meteorológicas.
A agricultura é uma das áreas mais expostas. A combinação de temperaturas elevadas e falta de água pode reduzir a produtividade das plantações, comprometer a disponibilidade de recursos hídricos e aumentar os custos de produção.
O turismo também sofre com o calor extremo. Embora o verão seja tradicionalmente uma das principais temporadas turísticas do país, temperaturas excessivas podem afetar atividades ao ar livre e aumentar a pressão sobre sistemas de energia e abastecimento de água.
Seca aumenta pressão sobre recursos hídricos
O problema não está restrito às temperaturas. A combinação entre calor intenso e períodos de seca amplia os impactos sobre diferentes setores da economia.
A redução da disponibilidade de água pode afetar a agricultura, o transporte fluvial e até mesmo a produção de energia.
Em regiões que dependem de rios e reservatórios, períodos prolongados de estiagem podem dificultar o funcionamento de atividades econômicas e aumentar a necessidade de medidas de adaptação.
Europa também enfrenta sequência de ondas de calor
O cenário italiano faz parte de uma tendência observada em diferentes países europeus ao longo de 2026.
O continente registrou episódios sucessivos de temperaturas excepcionalmente altas, com recordes locais e nacionais em diferentes regiões. Um dos aspectos que chama atenção dos pesquisadores é justamente a curta distância entre uma onda de calor e outra.
No fim de julho, especialistas já apontavam que a Itália e outras áreas da Europa enfrentavam ondas de calor mais frequentes e prolongadas.
Em junho, a Europa Ocidental registrou seu junho mais quente desde o início das medições, segundo dados do serviço europeu Copernicus. As temperaturas do Mediterrâneo também alcançaram níveis excepcionalmente elevados.
Um verão que vai além do desconforto
Agora, em agosto, a Itália volta a enfrentar temperaturas extremas, enquanto os efeitos acumulados dos episódios anteriores continuam sendo sentidos.
A sequência de ondas de calor transforma o fenômeno em um problema que vai além do desconforto provocado pelo verão. Agricultura, turismo, energia, disponibilidade de água e produtividade dos trabalhadores estão entre as áreas diretamente afetadas.
A estimativa de €22 bilhões em perdas para a economia italiana dá uma dimensão financeira ao impacto de um verão marcado por temperaturas extremas.
O cenário também reforça uma preocupação que vem ganhando espaço entre autoridades e pesquisadores: adaptar a economia a um ambiente em que períodos de calor intenso podem se tornar mais frequentes, prolongados e próximos uns dos outros.
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