O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a convocação de eleições antecipadas para 29 de novembro. A decisão ocorre em meio a uma crise política e habitacional, após o Parlamento rejeitar, na última sexta-feira (2), dois decretos apresentados pelo governo para enfrentar o problema da moradia no país.
Com a antecipação, os espanhóis irão às urnas nove meses antes do fim previsto da atual legislatura. Sánchez afirmou que pretende buscar um novo mandato popular e obter uma maioria que permita ao governo avançar com suas propostas.
“Decidi convocar o Conselho de Ministros ainda hoje para dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas para 29 de novembro”, declarou o primeiro-ministro em comunicado divulgado pelo Palácio de Moncloa.
Crise habitacional aumenta pressão sobre governo
A questão da moradia se tornou um dos principais desafios políticos da Espanha. O aumento dos preços dos imóveis, os aluguéis elevados e a redução da construção civil contribuíram para agravar a dificuldade de acesso à habitação e provocaram manifestações em diferentes regiões do país.
Um dos casos que ganhou destaque foi o de Maricarmen Abascal, de 87 anos. A idosa foi despejada do apartamento onde viveu durante cerca de 70 anos depois que o imóvel foi comprado por uma empresa, que aumentou o valor do aluguel em 275%.
O episódio passou a simbolizar a pressão enfrentada por milhares de pessoas diante do aumento dos custos de moradia.
Na sexta-feira, Sánchez tentou aprovar dois decretos de emergência destinados a conter o avanço da crise. As medidas incluíam regras para reduzir despejos e ações contra a especulação imobiliária, mas foram derrotadas no Parlamento.
A derrota representou um revés para o governo e acelerou a decisão de convocar novas eleições.
Sánchez pede maioria para continuar reformas
Ao anunciar a antecipação das eleições, Sánchez afirmou que os eleitores terão de decidir entre diferentes projetos para o futuro do país.
O primeiro-ministro criticou o avanço da extrema direita e defendeu a formação de uma maioria progressista mais ampla. Segundo ele, uma nova vitória eleitoral permitiria aprofundar as reformas que ainda precisam ser implementadas.
Sánchez também apresentou um balanço positivo de seu governo, destacando medidas voltadas à redução da desigualdade e o desempenho da economia espanhola.
O primeiro-ministro afirmou ainda que sua gestão trabalhou para defender os interesses da população diante da atuação de especuladores imobiliários.
Eleições ocorrerão em novembro
Com a dissolução antecipada do Parlamento, a Espanha entra oficialmente em período eleitoral. A votação está marcada para 29 de novembro de 2026.
A eleição deverá ser marcada principalmente pelo debate sobre o custo da moradia, além de questões econômicas e pela disputa entre os blocos progressista e de direita.
Para Sánchez, o resultado será decisivo para determinar se o atual governo terá força política para continuar suas políticas e avançar com novas medidas para enfrentar a crise habitacional.
Leia também: Meloni pede registro da própria voz para dificultar deepfakes de IA