O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu uma aproximação ainda maior entre Itália e Brasil em artigo publicado nesta quarta-feira (9) pelo jornal O Globo. O texto foi divulgado no mesmo dia em que o chanceler iniciou uma agenda de dois dias em São Paulo, acompanhado por uma delegação formada por mais de 100 empresas italianas.
A iniciativa reforça o caráter econômico da visita e sinaliza a intenção do governo italiano de ampliar a presença de empresas do país no mercado brasileiro. No artigo, Tajani destacou os vínculos históricos entre as duas nações e apontou o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul como uma oportunidade para aprofundar as relações econômicas.
Segundo informações da Agenzia Nova, o ministro considera a relação econômica entre Itália e Brasil “extraordinária” e defende o aproveitamento do novo cenário criado pelo acordo entre os blocos.
Brasil está entre os mercados prioritários da Itália
O Brasil ocupa uma posição estratégica na política italiana de expansão das exportações. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Itália, o país está entre os mercados considerados prioritários pelo Plano de Ação para o Export.
Os números ajudam a explicar o interesse de Roma. Em 2025, o comércio bilateral entre os dois países alcançou € 11,07 bilhões, alta de 6,7% em comparação com 2024. No mesmo período, as exportações italianas para o mercado brasileiro somaram € 5,8 bilhões.
O Brasil também concentra a maior parte das vendas italianas destinadas ao Mercosul. O país responde por 76,6% das exportações italianas para o bloco e é considerado o principal parceiro comercial da Itália na América do Sul.
Atualmente, cerca de 1.100 empresas com participação italiana estão presentes no mercado brasileiro, abrangendo diferentes setores da economia.
Acordo entre UE e Mercosul amplia expectativas
Outro ponto destacado pela diplomacia italiana é o potencial impacto do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Dados divulgados pela Farnesina, nome pelo qual é conhecido o Ministério das Relações Exteriores da Itália, indicam que, no primeiro mês após a entrada em vigor do tratado, as exportações italianas para o Brasil aumentaram 22,3%. No sentido contrário, as importações brasileiras pela Itália cresceram 21,8%.
Para o governo italiano, os resultados reforçam a expectativa de que a integração comercial possa abrir espaço para novos negócios e estimular investimentos entre as duas economias.
A estratégia também acompanha uma política mais ampla de aproximação da Itália com os principais mercados latino-americanos.
Laços históricos são parte da estratégia
Além dos indicadores comerciais, Tajani utilizou no artigo publicado em O Globo a relação histórica entre brasileiros e italianos como elemento para fortalecer a parceria bilateral.
O Brasil possui cerca de 970 mil cidadãos italianos registrados. O país também reúne, segundo estimativas utilizadas pelo governo italiano, aproximadamente 32 milhões de descendentes de italianos, a maior população de origem italiana fora da Itália.
Esses vínculos são considerados pela diplomacia italiana um instrumento para ampliar não apenas os negócios, mas também a cooperação cultural e política entre os dois países.
A visita de Tajani a São Paulo é a terceira do ministro ao Brasil desde que assumiu o comando da pasta das Relações Exteriores. Durante a passagem pelo país, ele participa de encontros com autoridades brasileiras, empresários e representantes de empresas italianas instaladas no território nacional.
Estratégia também foi adotada na Argentina
A atuação de Tajani na América do Sul não se limita ao Brasil. Antes de desembarcar em São Paulo, o chanceler italiano esteve na Argentina e publicou um artigo no jornal La Nación no qual defendeu o fortalecimento da parceria econômica entre Itália e Argentina.
A estratégia utilizada nos dois países tem pontos em comum: destacar os vínculos históricos e culturais e, a partir deles, defender uma aproximação econômica mais intensa.
No caso brasileiro, entretanto, o tamanho do mercado e o volume das relações comerciais colocam o país em uma posição especialmente relevante para a estratégia italiana na região.
A agenda de Tajani ocorre, portanto, em um momento em que Roma busca transformar a proximidade histórica com o Brasil em novas oportunidades comerciais e de investimento, tendo o acordo entre União Europeia e Mercosul como um dos principais instrumentos para essa expansão.
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