Ryanair reduz voos no inverno europeu por alta do combustível

A Ryanair vai reduzir parte da programação de voos no inverno europeu de 2026/2027 devido à alta do combustível. A companhia diminuiu de 216 milhões para 214 milhões sua previsão de passageiros para o ano fiscal e estima economizar até € 100 milhões com o ajuste. As rotas afetadas ainda não foram divulgadas.

A Ryanair vai reduzir parte da programação de voos prevista para o inverno europeu de 2026/2027 em resposta à alta dos preços dos combustíveis. A companhia também revisou para baixo sua previsão de passageiros para o ano fiscal que termina em março de 2027.

A estimativa, que era de 216 milhões de passageiros, passou para 214 milhões. Apesar da redução, a empresa afirma que sua capacidade total durante o inverno deverá permanecer praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Ryanair ainda não informou quais rotas ou aeroportos serão afetados pelo ajuste. Por isso, não é possível dizer, neste momento, se haverá redução específica de voos entre a Itália e outros destinos europeus.

Por que a Ryanair está reduzindo os voos?

O principal motivo é o aumento do preço do combustível de aviação, que representa uma parcela importante dos custos de uma companhia aérea.

A estratégia da Ryanair é reduzir a exposição ao combustível que não está protegido por contratos de hedge, mecanismo utilizado pelas empresas para tentar se proteger de grandes oscilações nos preços.

Com menos voos em períodos de menor demanda, a companhia espera diminuir o impacto financeiro provocado pelo combustível mais caro.

Segundo a Ryanair, o ajuste na programação pode reduzir suas perdas durante o inverno em aproximadamente € 70 milhões a € 100 milhões.

Preço do combustível quase dobrou

A preocupação da companhia está relacionada à forte alta registrada no mercado de energia.

A Ryanair informou que cerca de 80% de suas necessidades de combustível estão protegidas até março de 2027, a um preço equivalente a aproximadamente US$ 67 por barril.

O combustível de aviação, porém, estava sendo negociado próximo de US$ 140 por barril quando a empresa anunciou o ajuste.

Na prática, isso significa que a Ryanair está parcialmente protegida da alta atual, mas ainda precisa lidar com uma parcela dos custos exposta aos preços de mercado.

A escalada dos preços ocorreu em meio às tensões no Oriente Médio, que afetaram os mercados de energia e aumentaram a pressão sobre os custos das companhias aéreas.

Passagens podem ficar mais caras

A Ryanair também alertou para os possíveis efeitos da alta prolongada do petróleo sobre os passageiros.

Caso os preços permaneçam elevados até o verão europeu de 2027, a companhia avalia que as tarifas de voos de curta distância dentro da Europa poderão subir significativamente.

A pressão tende a ser maior sobre empresas que possuem uma parcela menor do combustível protegida contra oscilações de preços.

Nesse cenário, reduzir a capacidade, ou seja, oferecer menos voos e assentos, pode ser uma maneira de diminuir os custos e evitar que a alta do combustível tenha um impacto ainda maior nos resultados.

Companhia já reduziu voos em outros países

A decisão não é a primeira redução de operações anunciada pela Ryanair nos últimos meses. Em outros mercados europeus, a companhia também diminuiu sua presença, principalmente devido ao aumento de impostos e das taxas cobradas pelos aeroportos.

Na Grécia, por exemplo, a empresa anunciou em maio a retirada de três aeronaves de sua base em Salônica. A medida representaria uma redução de aproximadamente 700 mil assentos no inverno de 2026 e o cancelamento de 12 rotas.

Em Berlim, a Ryanair anunciou o encerramento de sua base, que conta com sete aeronaves, a partir de outubro. A companhia também prevê reduzir pela metade o número de voos durante o inverno.

Nesse caso, a empresa atribuiu a decisão ao aumento das taxas aeroportuárias. Parte das aeronaves retiradas da Alemanha deverá ser transferida para mercados considerados mais competitivos em custos, entre eles a Itália.

Itália continua entre os mercados estratégicos

Apesar dos cortes em algumas regiões, a Ryanair não está adotando uma estratégia de redução generalizada. A companhia continua ampliando sua operação em determinados mercados considerados mais atrativos.

Um exemplo é o Marrocos. Para o inverno de 2026, a empresa anunciou sua maior programação já realizada no país, com 5,3 milhões de assentos e 17 novas rotas.

Entre as novidades está uma ligação entre Agadir e Milão, conectando o destino marroquino a um dos principais mercados da Ryanair na Europa.

Os números mais recentes também mostram que a companhia segue transportando um volume elevado de passageiros. Em agosto, foram 22,2 milhões de passageiros, alta de 6% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Assim, o ajuste anunciado para o inverno não representa uma mudança completa na estratégia da Ryanair, mas uma tentativa de equilibrar a oferta de voos com o cenário de custos mais elevados.

Por enquanto, a principal dúvida para os passageiros é saber quais rotas serão afetadas. A companhia ainda não divulgou a lista de trechos que terão a programação reduzida.

 

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