Itália mira reconstrução da Azzurra e quer ir além da classificação para a Copa

Presidente da Federação Italiana de Futebol, Giovanni Malagò afirma que a Itália precisa reconstruir a seleção, apostar em jovens talentos e recuperar a confiança após duas ausências consecutivas na Copa do Mundo.

A Itália não pode tratar a próxima Copa do Mundo apenas como uma oportunidade de voltar ao principal torneio do futebol mundial. Essa é a avaliação de Giovanni Malagò, presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), que defende uma reconstrução da seleção italiana para recuperar a confiança perdida após anos de resultados abaixo das expectativas.

Em entrevista à emissora pública Rai na segunda-feira (14), Malagò afirmou que o objetivo da Azzurra precisa ser maior do que simplesmente garantir uma vaga no Mundial. Para o dirigente, a seleção deve aproveitar o novo ciclo para construir uma equipe competitiva e criar um caminho sustentável para os próximos anos.

A Itália não disputa uma Copa do Mundo desde 2014, quando foi eliminada ainda na fase de grupos. Desde então, a equipe ficou fora das edições de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar.

‘Não podemos nos limitar apenas a nos classificar’

Malagò reconheceu que o futebol envolve uma série de fatores imprevisíveis, mas afirmou que a seleção precisa estar preparada para evitar que um novo fracasso interrompa novamente seu projeto.

“Sei muito bem que dependemos de mil variáveis, mas não podemos nos colocar em uma situação em que um único incidente possa levar a outra situação amarga”, afirmou o presidente da FIGC.

O dirigente lembrou ainda que a Itália não disputa uma partida eliminatória de Copa do Mundo desde 2006, ano em que conquistou seu quarto título mundial.

“Não jogamos uma partida eliminatória de Copa desde 2006, mas a Itália não pode se limitar apenas a se classificar”, acrescentou.

A declaração reforça a preocupação da federação em não transformar o retorno ao Mundial em um objetivo isolado. A ideia é utilizar a classificação como parte de um processo mais amplo de reconstrução da seleção.

Reconstrução passa pelos jogadores jovens

Para Malagò, a renovação da Azzurra deve ter os jovens jogadores no centro do projeto.

“Precisamos olhar para frente e ter um bom desempenho e, para isso, precisamos construir um caminho com nossos jovens jogadores”, afirmou.

A estratégia busca responder a uma das principais questões enfrentadas pelo futebol italiano nos últimos anos: a necessidade de formar e integrar uma nova geração capaz de sustentar a seleção em longo prazo.

Mais do que montar uma equipe para uma única competição, a federação pretende criar uma base capaz de devolver estabilidade e competitividade à Azzurra.

Jogadores com dupla nacionalidade entram no radar

Outro ponto destacado por Malagò foi a possibilidade de contar com jogadores de dupla nacionalidade no processo de renovação.

O dirigente citou o jovem Alessandro Romano, do Cagliari, como exemplo. Segundo ele, o jogador decidiu defender a seleção italiana influenciado pelo trabalho realizado por Claudio Ranieri e Roberto Mancini.

Malagò também afirmou que existem “vários jogadores” com dupla nacionalidade que poderão defender a Itália durante o novo ciclo.

A presença desses atletas pode ampliar as opções disponíveis para a seleção e ajudar na formação de um elenco mais competitivo, especialmente em um momento de renovação.

Itália tenta reconstruir a confiança após anos de frustração

A preocupação de Malagò também está relacionada ao impacto das sucessivas ausências em Copas do Mundo sobre a confiança da seleção.

A Itália é uma das seleções mais tradicionais do futebol internacional e conquistou quatro títulos mundiais. Apesar disso, não consegue disputar o torneio desde 2014.

O contraste entre a história da Azzurra e os resultados recentes aumentou a pressão sobre a federação e sobre os responsáveis pela formação da equipe.

Para o novo comando do futebol italiano, o desafio não é apenas voltar ao Mundial, mas fazer com que a seleção volte a ser competitiva no cenário internacional.

Próximo desafio será contra a Bélgica

A próxima etapa desse processo começa em setembro. A Itália enfrentará a Bélgica pela primeira rodada da fase de grupos da Liga das Nações da Uefa.

A partida está marcada para 25 de setembro e será uma das primeiras oportunidades para observar o novo ciclo defendido por Malagò.

O confronto também servirá para medir a capacidade da Azzurra de transformar o discurso de reconstrução em desempenho dentro de campo.

Depois de duas ausências consecutivas em Copas do Mundo, a Itália agora busca recuperar o espaço perdido. Para Malagò, porém, o retorno ao Mundial deve ser apenas o primeiro passo: a missão é reconstruir uma seleção capaz de competir novamente entre as grandes potências do futebol.

 

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