A Lufthansa venceu a primeira fase do processo de privatização da TAP Air Portugal, após apresentar uma proposta de 1,201 bilhão de euros. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (14) pelo primeiro-ministro português, Luís Montenegro, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
Segundo o governo, a oferta do grupo alemão foi 16% superior à apresentada pela concorrente Air France-KLM e também apresentou menor grau de incerteza.
Com o resultado, a Lufthansa ficará responsável pela gestão executiva e operacional da companhia aérea. O Estado português, porém, manterá a participação majoritária de 50,1% do capital, preservando o controle acionário nesta primeira etapa.
Durante a coletiva de imprensa, Montenegro afirmou que a conclusão da fase inicial representa um avanço na recuperação do valor investido pelos contribuintes portugueses na companhia.
Proposta prevê valorização de € 2,55 bilhões
De acordo com o governo português, a proposta da Lufthansa representa uma valorização total de 2,552 bilhões de euros para a TAP.
Montenegro destacou que o acordo pretende ampliar as operações da companhia, incluindo o crescimento da frota, o aumento do número de passageiros e a expansão das rotas e dos destinos atendidos.
O primeiro-ministro também afirmou que a entrada do grupo alemão poderá impulsionar investimentos no setor aeronáutico português.
Entre as iniciativas associadas à negociação estão a criação de uma nova escola de pilotos em Tancos, a instalação de um centro de inovação em Aveiro e a implantação de um centro de serviços corporativos.
Segundo as estimativas apresentadas pelo governo, os projetos poderão gerar cerca de 3 mil empregos associados ao crescimento da TAP. Considerando o conjunto das iniciativas, a previsão é de 5,5 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Governo mantém maioria nesta primeira fase
Apesar da entrada da Lufthansa na gestão da companhia, o Estado português continuará com 50,1% das ações da TAP nesta etapa da privatização.
A decisão permite que o governo mantenha o controle acionário enquanto prepara uma possível segunda fase, prevista para ocorrer até 2028.
Nessa etapa, a proposta alemã prevê o pagamento adicional de 488 milhões de euros e a possibilidade de troca da participação remanescente do Estado por ações da holding do grupo Lufthansa.
Caso a operação seja concretizada nos termos apresentados, Portugal poderá se tornar o segundo maior acionista da holding, segundo explicou Montenegro.
A estrutura permitiria ao Estado deixar de deter diretamente a participação remanescente na TAP e passar a ter participação societária no grupo alemão, com possibilidade de receber dividendos.
O governo admite que essa alternativa poderá abrir caminho para a privatização integral da companhia aérea portuguesa.
Montenegro critica custo da reestatização da TAP
Durante o anúncio, o primeiro-ministro também criticou a decisão de reestatizar a TAP, tomada em 2020, durante o governo do então primeiro-ministro António Costa, do Partido Socialista.
Segundo Montenegro, os contribuintes portugueses injetaram mais de 3,2 bilhões de euros na empresa nos últimos anos.
O chefe do governo argumentou que os recursos utilizados para sustentar a companhia deixaram de estar disponíveis para outras áreas e serviços públicos essenciais.
A privatização busca recuperar parte desse investimento e garantir condições para o crescimento futuro da empresa. A operação também pretende fortalecer a posição da TAP no mercado internacional de aviação.
Privatização poderá ser concluída até 2028
A vitória da Lufthansa encerra a primeira fase da disputa, mas não representa a conclusão definitiva da privatização.
A próxima etapa dependerá da evolução das negociações e da concretização das condições previstas na proposta. O governo português pretende avançar até 2028 com o modelo que poderá transferir a participação remanescente do Estado para a holding do grupo alemão.
Além do retorno financeiro, o Executivo aposta na ampliação das operações da TAP e na atração de investimentos para Portugal.
A operação também poderá aproximar ainda mais a companhia portuguesa de um dos maiores grupos de aviação da Europa, com possíveis impactos sobre a conectividade aérea do país, o turismo e o emprego.
Por enquanto, o Estado mantém a maioria das ações, enquanto a Lufthansa assume a gestão executiva e operacional prevista nesta primeira fase.
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