Itália e Espanha encerram controles de passaportes após crise migratória em Ceuta

Medida que durou quase três meses será suspensa nesta sexta-feira (23), após acordo entre os governos de Giorgia Meloni e Pedro Sánchez para normalizar a circulação entre os dois países.

Itália e Espanha decidiram encerrar os controles de passaportes impostos entre os dois países após uma crise diplomática relacionada à migração em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22), depois de quase três meses de restrições à circulação de viajantes.

A decisão foi acertada em uma conversa telefônica entre os ministros do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, e da Espanha, Fernando Grande-Marlaska. Os dois concordaram em não prorrogar a suspensão das regras de livre circulação previstas no Acordo de Schengen.

Segundo o Ministério do Interior italiano, a normalização será acompanhada pelo reforço do compartilhamento de informações entre as autoridades dos dois países, com o objetivo de garantir a segurança na área de livre circulação europeia.

A retomada das condições habituais de viagem está prevista para sexta-feira (23), quando os controles nas fronteiras aéreas e marítimas entre Itália e Espanha deverão ser encerrados.

Crise migratória em Ceuta provocou tensão diplomática

O impasse começou após a entrada em massa de mais de 70 mil imigrantes procedentes do Marrocos em Ceuta, no fim de julho, segundo as informações divulgadas pela imprensa italiana.

Embora o território pertença à Espanha, Ceuta não integra o espaço Schengen. Ainda assim, os acontecimentos provocaram repercussões diplomáticas e levaram o governo italiano a adotar medidas adicionais de controle sobre viajantes provenientes do território espanhol.

Em 1º de agosto, a Itália restabeleceu a fiscalização de passaportes para pessoas que chegavam da Espanha. O governo de Giorgia Meloni justificou a decisão com o risco de infiltração terrorista em meio à crise migratória.

A iniciativa provocou insatisfação em Madri. O governo espanhol criticou a falta de solidariedade italiana e respondeu com a adoção de controles semelhantes para viajantes procedentes da Itália.

A disputa transformou uma questão relacionada à segurança das fronteiras em um impasse entre dois países integrantes da União Europeia e do espaço Schengen.

Acordo entre Meloni e Sánchez abriu caminho para a retomada

A decisão de encerrar as restrições ocorreu após uma reunião entre a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, realizada na semana anterior, em Bruxelas.

O encontro ajudou a abrir caminho para a solução diplomática, posteriormente formalizada pelos ministros do Interior.

Com o fim dos controles extraordinários, os dois governos pretendem retomar as condições habituais de circulação entre seus territórios, sem abrir mão da cooperação em segurança e do intercâmbio de informações.

Quase 39 mil viajantes foram submetidos a controles

Durante o período de restrições, 38.719 viajantes de países de fora da União Europeia foram submetidos a controles ao chegar da Itália, segundo dados do governo espanhol.

A suspensão das medidas encerra quase três meses de fiscalização adicional nas conexões entre os dois países. A expectativa é que a normalização facilite novamente as viagens aéreas e marítimas entre Itália e Espanha.

O episódio também evidencia os desafios enfrentados pelos países europeus para conciliar o controle migratório, a segurança das fronteiras e a manutenção da livre circulação, um dos princípios fundamentais do espaço Schengen.

 

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