O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou restrições às manifestações no país após os episódios de violência registrados no último sábado, em diferentes cidades francesas. A medida busca evitar novos confrontos e restabelecer a ordem pública. O governo também prepara um reforço do dispositivo de segurança para os próximos dias.
Macron anunciou as medidas nesta quinta-feira (22), após uma reunião com responsáveis pelos serviços de segurança e inteligência. O presidente convocou ainda um Conselho de Defesa para sexta-feira (23), quando deverão ser discutidas novas ações para conter a violência e proteger espaços públicos e comerciais.
Segundo a agência EFE, Macron afirmou que a orientação geral é evitar manifestações nos próximos dias, especialmente no sábado (24), diante do risco de novos distúrbios.
França prevê restrições a atos sem organização sindical
As medidas anunciadas pelo governo francês estabelecem uma distinção entre manifestações organizadas por sindicatos e outras concentrações públicas.
Os pedidos apresentados por organizações sindicais continuarão sujeitos à análise das autoridades, que poderão recomendar alterações nos percursos para evitar áreas comerciais e edifícios públicos.
Já manifestações sem organização sindical poderão ser proibidas por autoridades locais quando houver risco à ordem pública. Macron afirmou que concentrações consideradas sem legitimidade e com potencial de provocar novos confrontos não serão autorizadas.
A decisão ocorre após episódios de violência que levaram o governo a ampliar as medidas de segurança. A estratégia busca impedir que novas mobilizações resultem em danos ao patrimônio, confrontos com as forças policiais e perturbações da circulação nas cidades.
Macron acusa grupos de extrema-esquerda
Ao comentar os distúrbios, Macron atribuiu parte da violência a grupos organizados de extrema-esquerda. Segundo o presidente, essas organizações teriam atuado de forma planejada e com o objetivo de desestabilizar as instituições republicanas.
O chefe de Estado afirmou que os grupos envolvidos agiram com elevado grau de violência e representaram um risco à segurança pública.
As declarações reforçam o tom adotado pelo governo diante dos acontecimentos do último sábado. A resposta oficial combina restrições às manifestações consideradas de risco com o aumento da presença policial nas ruas.
Governo francês reforçará segurança no sábado
O ministro delegado do Interior, Jean-Didier Berger, anunciou à emissora BFMTV que o número de agentes mobilizados no próximo sábado será 20% superior ao efetivo utilizado na operação anterior.
O dispositivo de segurança deverá contar com unidades especializadas da polícia e da gendarmerie, força francesa com atribuições policiais e militares. Helicópteros, veículos blindados e integrantes das Forças Armadas também estão previstos no planejamento.
O reforço pretende ampliar a capacidade de resposta das autoridades diante da possibilidade de novas concentrações e confrontos.
Conselho de Defesa discutirá novas medidas
A reunião do Conselho de Defesa, marcada para sexta-feira, deverá definir os próximos passos da estratégia de segurança. O governo busca impedir a repetição dos episódios de violência e garantir a retomada da normalidade nas cidades afetadas.
As restrições anunciadas também colocam em evidência o desafio de conciliar a manutenção da ordem pública com o direito de manifestação. A aplicação das novas regras dependerá da avaliação das autoridades sobre os riscos associados a cada concentração.
A expectativa do governo francês é que o reforço policial e as limitações às manifestações consideradas perigosas reduzam a possibilidade de novos distúrbios durante o fim de semana.
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