Itália tem 5,4 milhões de pessoas em situação de pobreza absoluta, aponta Istat

Relatório de 2025 mostra que 9,3% da população vive sem recursos suficientes para atender às necessidades básicas; crianças, famílias numerosas e estrangeiros estão entre os grupos mais vulneráveis.

Mais de 5,4 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza absoluta na Itália em 2025, o equivalente a 9,3% da população. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat) e indicam que o cenário permaneceu praticamente estável em relação ao ano anterior.

O levantamento também aponta que mais de 2,1 milhões de famílias italianas estavam nessa condição, correspondendo a 8% do total de domicílios do país.

A pobreza relativa, por sua vez, atingia cerca de 8,7 milhões de pessoas, distribuídas por mais de 2,8 milhões de famílias. Nesse caso, a incidência era de 14,8% entre os indivíduos e de 10,8% entre os domicílios.

A pobreza absoluta considera a insuficiência de recursos para adquirir bens e serviços essenciais. Já a pobreza relativa avalia a condição econômica em comparação com os padrões de vida da sociedade.

Sul da Itália concentra os índices mais elevados

As diferenças regionais continuam expressivas. No sul da Itália e nas ilhas, mais de 11% da população vivia em situação de pobreza absoluta em 2025.

Entre as famílias, a incidência no Mezzogiorno, região que reúne o sul do país e parte das ilhas, chegou a 9,6%.

Nas demais áreas, os índices foram menores. No noroeste, a taxa ficou em 7,7%; no nordeste, em 7,4%; e na região central, em 6,3%.

Os números evidenciam a desigualdade territorial no país, com maior concentração da pobreza nas regiões meridionais.

Crianças e famílias numerosas são mais vulneráveis

A idade também influencia o risco de pobreza. Em 2025, aproximadamente 1,136 milhão de menores de idade viviam em situação de pobreza absoluta, o equivalente a 12,5% dessa faixa da população.

Entre os jovens de 18 a 34 anos, a taxa chegou a 12,1%. O percentual foi de 8,9% entre pessoas de 35 a 64 anos e de 6,1% entre aquelas com mais de 65 anos.

O tamanho da família também aparece como fator importante. Nos domicílios com cinco ou mais integrantes, a incidência de pobreza absoluta alcançou 19,2%. Nas famílias com quatro pessoas, o índice foi de 10,5%.

Entre casais com três ou mais filhos, a taxa chegou a 16,9%. Já nas famílias monoparentais, formadas por um responsável e seus filhos, o percentual foi de 11,5%.

Escolaridade e emprego não eliminam o risco de pobreza

Os dados do Istat mostram uma relação entre o nível de escolaridade da pessoa de referência do domicílio e a vulnerabilidade econômica.

Nas famílias em que essa pessoa possui ensino médio completo ou formação superior, a incidência de pobreza absoluta foi de 4,4%.

O índice subiu para 11,9% quando a escolaridade chegava, no máximo, ao ensino fundamental. Entre aqueles com apenas o ensino primário, a taxa atingiu 12,3%.

O emprego também não garante proteção contra a pobreza. Entre as famílias cuja pessoa de referência trabalha como assalariada, a incidência foi de 8,5%. Entre operários e trabalhadores de ocupações semelhantes, o percentual aumentou para 14,3%.

A situação é ainda mais grave nos domicílios cuja principal referência está desempregada. Nesse grupo, a pobreza absoluta chegou a 20,7%.

Famílias estrangeiras enfrentam maior risco

Uma das diferenças mais expressivas aparece nos dados relacionados à cidadania dos integrantes da família.

A pobreza absoluta atingiu 5,9% dos domicílios compostos exclusivamente por cidadãos italianos. O índice subiu para 26,7% nas famílias com pelo menos um estrangeiro e chegou a 29,4% naquelas formadas exclusivamente por pessoas de outras nacionalidades.

A disparidade também aparece nos domicílios com menores de idade. Entre as famílias compostas apenas por italianos, a incidência foi de 7,8%. O percentual alcançou 27,8% nas famílias com pelo menos um estrangeiro e 31,4% naquelas formadas exclusivamente por estrangeiros.

Os dados mostram que a presença de integrantes estrangeiros está associada a uma incidência significativamente maior de pobreza absoluta. O levantamento, porém, não permite atribuir essa diferença a uma única causa.

Istat identifica avanços pontuais

Apesar da estabilidade dos indicadores gerais, o instituto registrou reduções em alguns grupos.

Nos municípios com até 50 mil habitantes, excluídas as áreas periféricas metropolitanas, a incidência de pobreza absoluta caiu de 8,9% em 2024 para 7,4% em 2025.

Entre crianças de 7 a 13 anos, o percentual recuou de 14,9% para 12,1% no mesmo período.

As quedas representam avanços localizados, mas não alteram o quadro nacional. Milhões de pessoas continuam sem recursos suficientes para cobrir necessidades básicas, com maior exposição entre menores de idade, famílias numerosas, pessoas com baixa escolaridade e domicílios com integrantes estrangeiros.

 

Leia também: Terremotos de até magnitude 5,5 atingem a Sicília, no sul da Itália

Comente

Neste Artigo

Sobre o autor