Greves em Portugal fecham escolas, afetam serviços públicos e cancelam centenas de voos

Paralisações desta sexta-feira (2) envolvem mais de 350 mil funcionários públicos. Greve dos tripulantes da easyJet também afeta voos nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro

Portugal enfrenta uma série de paralisações nesta sexta-feira (2), com impactos na educação, no atendimento em serviços públicos e no transporte aéreo. As greves afetam diferentes regiões do país e podem prejudicar a rotina de moradores e turistas.

Na administração pública, três organizações sindicais ligadas à Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) convocaram uma greve de 24 horas, que abrange mais de 350 mil trabalhadores. A falta de funcionários já provocou o fechamento de dezenas de escolas, enquanto outros serviços públicos podem registrar atrasos e interrupções.

Ao mesmo tempo, os tripulantes de cabine da companhia aérea easyJet iniciaram uma paralisação de cinco dias, com centenas de voos cancelados nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro.

Greve de funcionários públicos fecha escolas em Portugal

A educação está entre os setores mais afetados pela paralisação dos funcionários públicos. Dezenas de escolas não abriram as portas nesta sexta-feira devido à falta de profissionais, com registros de unidades fechadas de norte a sul do país, incluindo nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

Em Lisboa, a Escola Francisco Arruda permaneceu fechada por causa da greve. Em declarações à emissora TVI, Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, destacou a adesão dos trabalhadores ao movimento.

A paralisação foi convocada por três entidades sindicais: a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) e o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML).

O movimento envolve diferentes categorias, incluindo profissionais responsáveis pelo funcionamento das escolas, funcionários administrativos e técnicos que atuam em órgãos públicos.

Os sindicatos reivindicam a valorização das carreiras, com medidas para melhorar a remuneração e as condições de trabalho desses profissionais.

Quais serviços públicos podem ser afetados pela greve?

Além das escolas, a paralisação pode provocar dificuldades no atendimento de outros serviços essenciais à população.

Entre os setores que podem registrar interrupções ou atrasos estão:

  • Segurança Social: atendimento relacionado a benefícios e outros serviços sociais;

  • Registros e cartórios: serviços de registro civil e notariado;

  • Justiça: funcionamento de órgãos e serviços administrativos;

  • Prefeituras e serviços municipais: atendimento ao público e atividades das autarquias;

  • Coleta de lixo: recolhimento de resíduos em diferentes municípios;

  • Saúde: possíveis impactos em unidades locais de saúde e em outros órgãos do setor.

Os efeitos dependem da adesão dos funcionários em cada local. Por isso, nem todos os serviços necessariamente serão interrompidos, mas pode haver redução no atendimento e aumento do tempo de espera.

Em Lisboa, dezenas de pessoas também participaram de uma manifestação entre a Praça da Figueira e o Ministério das Finanças.

Greve da easyJet provoca cancelamentos de voos

Outra paralisação que afeta Portugal é a dos tripulantes de cabine da easyJet, iniciada nesta sexta-feira e prevista para durar até terça-feira (6), totalizando cinco dias.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) afirma que a adesão ao movimento é elevada e estima que 80% dos voos sejam cancelados durante o período da greve.

Segundo Ricardo Penarroias, presidente do sindicato, 443 voos já haviam sido cancelados nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro.

A companhia aérea, por sua vez, informou à agência Lusa que espera manter aproximadamente 55% de sua programação durante a paralisação. Para isso, pretende operar com os serviços mínimos obrigatórios e utilizar tripulações de outras bases europeias.

O sindicato, no entanto, contesta parte das operações previstas pela empresa. Segundo seu presidente, alguns voos mantidos além dos serviços mínimos seriam realizados de forma ilegal. A declaração representa a posição da entidade sindical no conflito.

Por que os tripulantes da easyJet estão em greve?

Os trabalhadores reivindicam mudanças nas condições de trabalho e na remuneração. Entre as principais demandas estão a elaboração de escalas mais estáveis, a progressão salarial de acordo com o tempo de serviço e melhores condições nas negociações do Acordo de Empresa, que estabelece regras e condições de trabalho entre a companhia e os funcionários.

Uma nova paralisação dos tripulantes já está prevista para o período de 19 a 23 de dezembro, caso o conflito trabalhista continue.

O que os passageiros devem fazer?

Quem tem viagem marcada pela easyJet durante o período da greve deve verificar a situação do voo antes de ir ao aeroporto. Como a programação pode sofrer alterações, é importante acompanhar as notificações enviadas pela companhia e consultar os canais oficiais da empresa.

Os passageiros também devem conferir as opções de remarcação ou reembolso disponíveis para o caso específico de sua reserva.

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