Governo propõe bônus para advogados que incentivarem saída de imigrantes

O governo italiano propôs pagar bônus a advogados que incentivarem imigrantes a deixar o país voluntariamente. A medida, parte de um pacote de segurança, já passou pelo Senado e enfrenta críticas por possível conflito de interesses e impacto no direito de defesa. Entidades jurídicas e políticos apontam riscos à independência da advocacia.

O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni está prestes a aprovar uma medida que tem gerado forte reação na Itália. A proposta prevê o pagamento de bônus a advogados que convencerem imigrantes a aceitar o retorno voluntário aos seus países de origem.

O projeto integra um novo pacote de segurança já aprovado na câmara alta do Parlamento e que agora segue para votação final.

Como funcionaria o incentivo financeiro

A lógica da medida é baseada em resultado: o pagamento ao advogado só seria feito após a confirmação de que o imigrante deixou efetivamente o território italiano.

Segundo estimativas divulgadas pela imprensa italiana, o valor do bônus seria de cerca de 615 euros por caso concluído. O orçamento inicial previsto é de 246 mil euros, com possibilidade de ampliação para aproximadamente 492 mil euros anuais nos próximos anos.

Além disso, o pacote inclui outra mudança relevante: a retirada do acesso ao apoio jurídico estatal para imigrantes que tentarem contestar ordens de deportação na Justiça.

Entidades jurídicas reagem à proposta

A proposta provocou críticas imediatas de entidades do setor jurídico. A Unione delle Camere Penali Italiane afirmou que a medida compromete a independência da advocacia.

“Os profissionais devem atuar com independência e não condicionados por incentivos financeiros ligados a resultados que interessam ao Estado.”

Magistrados também manifestaram preocupação com possíveis impactos no sistema judicial, alertando para o risco de enfraquecimento do direito de defesa.

Oposição fala em “recompensa ao estilo faroeste”

No campo político, a proposta também gerou forte reação. O deputado Riccardo Magi, do partido Più Europa, criticou duramente a iniciativa.

“Recompensa ao estilo faroeste.”

Segundo ele, a medida transforma advogados em instrumentos de política migratória, distorcendo o papel da profissão.

Debate sobre direitos e política migratória

Críticos apontam que a proposta pode criar um conflito de interesses, ao vincular ganhos financeiros ao resultado de processos que envolvem direitos fundamentais.

Por outro lado, o governo defende que a medida busca tornar mais eficiente a gestão migratória, incentivando soluções voluntárias em vez de processos longos e custosos.

Medida entra na reta final

O projeto ainda precisa passar pela etapa final de votação, mas já se tornou um dos temas mais polêmicos do debate político italiano recente.

Caso seja aprovado, o modelo pode representar uma mudança significativa na forma como o país lida com imigração e deportações, com possíveis repercussões jurídicas e sociais.

Leia também: Decisão em Roma desafia nova lei e garante cidadania a menores

Comente

Neste Artigo

Sobre o autor