Crise dos combustíveis afeta voos na Itália e aumenta taxas aéreas

A alta no preço do combustível de aviação já provoca impactos nos aeroportos italianos. Companhias aéreas passaram a cancelar voos, criar sobretaxas e elevar tarifas de bagagem e assentos. Passageiros que viajam pela União Europeia seguem protegidos por regras de compensação em casos de cancelamentos e atrasos.

O aumento no preço do combustível de aviação já começou a afetar o setor aéreo na Itália. A alta nos custos ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e às dificuldades logísticas provocadas pelas restrições no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Desde o início do ano, o valor do querosene de aviação sofreu forte elevação no mercado internacional, levando companhias aéreas europeias a reverem operações, criarem taxas extras e reduzirem parte de suas rotas de verão.

Volotea cancela voos e cria sobretaxa

A companhia espanhola de baixo custo Volotea foi a primeira empresa a confirmar cortes na programação de voos envolvendo aeroportos italianos. Segundo a empresa, menos de 1% das operações previstas para o verão europeu foram retiradas, incluindo rotas na Itália, França e Espanha.

O CEO da companhia, Carlos Muñoz, afirmou que a medida busca preservar a sustentabilidade financeira da empresa diante da escalada dos custos operacionais.

Além disso, a Volotea lançou uma política chamada “Promessa de Viagem Justa”, que prevê a cobrança de uma taxa adicional de até 14 euros por passageiro caso o combustível ultrapasse um limite estipulado poucos dias antes da viagem.

Autoridade italiana investiga cobrança extra

A medida chamou atenção das autoridades italianas. A Autorità Garante della Concorrenza e del Mercato (AGCM) abriu uma investigação para avaliar se os consumidores foram informados de forma clara sobre as novas cobranças aplicadas pela empresa.

Especialistas em defesa do consumidor afirmam que mudanças tarifárias relacionadas ao combustível precisam seguir regras rígidas de transparência previstas pela legislação europeia.

Air France-KLM amplia taxas em voos internacionais

O grupo franco-holandês Air France-KLM também reajustou tarifas diante do aumento nos custos do combustível.

Em voos de longa distância, a cobrança adicional pode chegar a 100 euros em passagens de ida e volta. Já a Transavia, companhia de baixo custo do grupo, aplicou aumentos médios de cerca de 10 euros em rotas de curta e média distância.

As empresas informaram que as novas cobranças valem apenas para bilhetes emitidos a partir de abril.

Bagagens e assentos também ficaram mais caros

Outras companhias optaram por elevar receitas por meio de serviços adicionais. O grupo Lufthansa Group, controlador da ITA Airways, passou a cobrar pela bagagem de mão em algumas tarifas econômicas básicas.

Segundo a associação italiana de consumidores UNC, o custo para marcação antecipada de assentos também aumentou significativamente em determinadas rotas, chegando a até 85 euros em alguns casos.

Ryanair e EasyJet descartam sobretaxa por enquanto

As companhias Ryanair e EasyJet afirmaram que, até o momento, não pretendem criar sobretaxas específicas relacionadas ao combustível durante o verão europeu.

O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, declarou que passageiros que já compraram passagens não terão reajustes posteriores. Apesar disso, ele reconheceu que eventuais problemas de abastecimento em aeroportos europeus podem provocar cancelamentos pontuais.

Passageiros têm direitos garantidos na União Europeia

Mesmo diante da crise, passageiros que viajam dentro da União Europeia continuam protegidos pelas regras do bloco.

Pelas normas europeias, cancelamentos comunicados com menos de 14 dias de antecedência podem gerar direito a compensação financeira, dependendo das circunstâncias do voo. Além disso, companhias aéreas são obrigadas a oferecer assistência em casos de atrasos prolongados ou cancelamentos.

Especialistas alertam, porém, que muitos seguros de viagem tradicionais não cobrem problemas relacionados diretamente a conflitos armados ou crises geopolíticas, tornando importante a leitura detalhada das apólices antes do embarque.

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