Imposto de Renda na Itália em 2026: quem precisa declarar, prazos e como funciona o processo

A declaração do Imposto de Renda na Itália em 2026 começa em maio e segue regras específicas para residentes fiscais, trabalhadores assalariados, aposentados e profissionais com Partita IVA. A matéria explica quem é obrigado a declarar, quais são os modelos disponíveis, os prazos oficiais para envio, como funciona a restituição do IRPEF e quais documentos são necessários para acessar o sistema da Agenzia delle Entrate.

A temporada de declaração do Imposto de Renda na Itália em 2026 já tem calendário definido pela Agenzia delle Entrate, órgão equivalente à Receita Federal brasileira. O procedimento é obrigatório para milhares de contribuintes residentes no país e envolve diferentes modelos de declaração, conforme o perfil profissional e a origem da renda.

A entrega da declaração referente ao ano fiscal de 2025 começa em maio de 2026 e deve ser feita de forma online, diretamente no sistema da administração tributária italiana.

Quem deve declarar imposto de renda na Itália

A obrigação de declarar atinge principalmente os chamados “residentes fiscais” na Itália. Em regra, é considerado residente fiscal quem permaneceu no país por mais de 183 dias durante o ano civil ou possui residência habitual registrada em território italiano.

Esses contribuintes precisam informar à Receita italiana todos os rendimentos obtidos, inclusive ganhos recebidos no exterior. Entram nessa categoria:

  • Trabalhadores com contrato de emprego na Itália;
  • Aposentados que recebem benefícios italianos;
  • Profissionais autônomos;
  • Pessoas com Partita IVA;
  • Proprietários de imóveis;
  • Quem possui investimentos financeiros ou aplicações fora da Itália;
  • Residentes que recebem renda de outros países.

Por outro lado, muitos ítalo-brasileiros que vivem fora da Itália e não possuem renda, patrimônio ou vínculo fiscal ativo no país normalmente não precisam apresentar declaração.

Quais são os modelos de declaração disponíveis

A Itália utiliza dois principais formulários para a declaração do imposto de renda.

Modelo 730

O modelo 730 é destinado principalmente a:

  • Trabalhadores assalariados;
  • Aposentados;
  • Pessoas com renda considerada mais simples.

Esse formato é o mais utilizado porque permite restituições mais rápidas diretamente no salário ou na aposentadoria.

Modelo Redditi Persone Fisiche

Já o modelo Redditi PF é obrigatório para:

  • Trabalhadores autônomos;
  • Profissionais com Partita IVA;
  • Pessoas com rendimentos empresariais;
  • Residentes no exterior com obrigações fiscais na Itália;
  • Contribuintes com situações fiscais mais complexas.

Esse modelo costuma exigir informações adicionais e maior detalhamento patrimonial.

Calendário e prazos do Imposto de Renda 2026 na Itália

O calendário oficial da declaração começa em 14 de maio de 2026, quando os contribuintes passam a ter acesso ao sistema pré-preenchido disponibilizado pela Receita italiana.

Os principais prazos são:

  • Até 30 de junho de 2026: prazo recomendado para quem tem direito à restituição e deseja receber mais rapidamente;
  • 30 de setembro de 2026: prazo final para envio do modelo 730;
  • 2 de novembro de 2026: prazo limite para entrega do modelo Redditi Persone Fisiche.

Quem envia a documentação nos primeiros meses geralmente recebe eventuais restituições entre julho e agosto. Já as declarações transmitidas mais perto do prazo final costumam gerar pagamentos apenas no último trimestre do ano.

Como fazer a declaração na Itália

O envio da declaração é realizado online pelo portal da Agenzia delle Entrate. O contribuinte pode acessar o sistema por meio das credenciais digitais italianas.

Os acessos aceitos incluem:

  • SPID (Sistema Pubblico di Identità Digitale);
  • CIE (Carteira de Identidade Eletrônica);
  • CNS (Carta Nazionale dei Servizi).

Ao entrar no portal, o usuário encontra a declaração pré-preenchida com dados já informados por empregadores, bancos, previdência e outras instituições.

Mesmo com o modelo automático, é importante revisar cuidadosamente todas as informações antes do envio.

Quais documentos são necessários

Para declarar corretamente o imposto de renda na Itália, normalmente é preciso reunir:

  • Codice fiscale;
  • Documento de identidade italiano;
  • Certificazioni Uniche (CU) emitidas por empregadores;
  • Comprovantes de aposentadoria;
  • Dados bancários;
  • Informações sobre imóveis;
  • Comprovantes de despesas dedutíveis;
  • Declarações de investimentos no exterior, quando aplicável.

Entre as despesas que podem gerar abatimentos estão gastos médicos, aluguel, educação, financiamento imobiliário e dependentes.

Restituição do imposto: como funciona

Quando o contribuinte pagou mais imposto do que deveria ao longo do ano, a Receita italiana realiza a restituição automaticamente após o processamento da declaração.

No caso do modelo 730, o valor normalmente é creditado diretamente no salário ou benefício previdenciário. Já para quem utiliza o modelo Redditi PF, o reembolso pode ocorrer por transferência bancária.

O prazo de recebimento varia conforme a data de envio e a necessidade de eventuais verificações fiscais.

Atenção para rendimentos no exterior

Um dos pontos que mais gera dúvidas entre brasileiros na Itália é a obrigatoriedade de declarar rendimentos obtidos fora do país.

A legislação italiana prevê tributação sobre renda mundial para residentes fiscais. Isso significa que salários, aposentadorias, imóveis alugados e investimentos mantidos no Brasil também podem precisar ser informados à Receita italiana.

Nesses casos, acordos internacionais para evitar dupla tributação podem reduzir ou compensar impostos pagos em outro país.

Vale a pena buscar ajuda especializada?

Para contribuintes com renda simples, o sistema pré-preenchido costuma facilitar bastante o processo. Porém, quem possui patrimônio no exterior, dupla residência fiscal ou atividade autônoma geralmente se beneficia do acompanhamento de um commercialista, ou seja, o contador especializado no sistema tributário italiano.

Erros na declaração podem gerar multas, cobrança de impostos adicionais e dificuldades futuras em processos de residência, cidadania ou renovação documental na Itália.

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