A inflação voltou a acelerar na Itália e já começa a pesar ainda mais no orçamento das famílias. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística italiano (Istat) mostram que a taxa anual subiu para 2,7% em abril, após registrar 1,7% em março.
O aumento foi impulsionado principalmente pela alta nos preços da energia e dos alimentos, em um cenário de tensão internacional provocado pela guerra no Oriente Médio.
Além da comparação anual, os preços também avançaram no curto prazo: o índice de preços ao consumidor cresceu 1,1% em relação ao mês anterior.
Energia volta a pressionar a economia italiana
Segundo o Istat, o principal fator por trás da aceleração da inflação foi a disparada nos custos da energia.
O instituto destacou que houve uma forte mudança nos preços dos produtos energéticos:
“A aceleração da inflação deveu-se principalmente à dinâmica dos preços de produtos energéticos não regulamentados (de -2,0% para +9,6%), de produtos energéticos regulamentados (de -1,6% para +5,3%) e de alimentos não processados (de +4,7% para +5,9%).”
Na prática, isso significa que combustíveis, gás, eletricidade e outros itens ligados à energia ficaram significativamente mais caros em abril.
O aumento ocorre em meio às incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os temores sobre abastecimento global de petróleo e transporte marítimo internacional.
Alimentos também ficaram mais caros
Outro fator que pesa diretamente no bolso dos italianos é a alta nos preços dos alimentos.
Os produtos alimentícios não processados como frutas, verduras, carnes e itens frescos, registraram aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.
Já o índice que reúne alimentos, produtos de higiene e artigos para casa subiu 2,3% em abril.
Apesar da desaceleração da chamada inflação subjacente, indicador que exclui energia e alimentos frescos, o custo de itens básicos continua pressionando o consumo das famílias.
Dados vieram ligeiramente abaixo das previsões
Embora os números indiquem forte aceleração da inflação, o resultado oficial ficou um pouco abaixo das estimativas preliminares divulgadas anteriormente pelo próprio Istat.
As projeções iniciais apontavam:
- inflação anual de 2,8%;
- avanço mensal de 1,2%.
O resultado final confirmou:
- alta anual de 2,7%;
- crescimento mensal de 1,1%.
Mesmo assim, economistas avaliam que a tendência ainda é de pressão inflacionária nos próximos meses.
Consumidores alertam para impacto bilionário
Após a divulgação dos dados, a associação italiana de defesa do consumidor Codacons afirmou que a guerra no Oriente Médio já está provocando um impacto estimado em 23 bilhões de euros no orçamento das famílias italianas.
Segundo a entidade:
“As medidas implementadas pelo governo não impediram o impacto devastador da crise no Oriente Médio sobre o bolso dos italianos.”
A associação também alertou para um possível agravamento do cenário caso continue a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o transporte global de petróleo.
Famílias com filhos sentem ainda mais os efeitos
A Codacons calculou que somente os gastos com alimentação devem aumentar significativamente neste ano.
Segundo a entidade:
“Somente para gastos com alimentação, com preços nesse setor subindo 2,9% em relação ao ano anterior, com picos de 5,9% para produtos não perecíveis, o aumento nos gastos é de 185 euros para a família típica e 269 euros para uma família com dois filhos.”
O aumento dos custos vem afetando especialmente famílias de renda média e baixa, que já enfrentam dificuldades com aluguel, energia e despesas básicas.
BCE vê riscos para crescimento da Europa
O Banco Central Europeu (BCE) também demonstrou preocupação com os efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio.
Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a instituição afirmou que a guerra entre Estados Unidos e Irã está:
“afetando a atividade econômica”
e que os dados recentes:
“apontam para um enfraquecimento do crescimento desde o início do conflito”.
Segundo o BCE, consumidores e empresas estão mais inseguros diante das incertezas internacionais.
Apesar de destacar que o mercado de trabalho europeu ainda mostra resiliência e desemprego baixo, o banco alertou que a economia da região enfrenta “riscos de queda” e que o cenário dependerá diretamente da duração da crise geopolítica.
Inflação segue como preocupação central na Europa
Mesmo após anos de tentativas de controle inflacionário na zona do euro, a nova pressão sobre energia e alimentos reacendeu o alerta entre governos e bancos centrais.
A expectativa agora é acompanhar se os preços continuarão subindo nos próximos meses ou se haverá estabilização caso as tensões internacionais diminuam.
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