Morre Edgar Morin, filósofo francês que marcou gerações com pensamento sobre liberdade e complexidade

Morreu aos 104 anos o filósofo francês Edgar Morin, um dos mais influentes pensadores contemporâneos. Autor de obras como Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro e O Método, Morin destacou-se pela defesa da liberdade, da democracia e do pensamento complexo. O intelectual mantinha uma forte ligação com Portugal, país que visitou regularmente desde a década de 1960 e onde esteve pela última vez em 2023.

O filósofo, sociólogo e ensaísta francês Edgar Morin morreu aos 104 anos. 

A informação foi confirmada pela esposa, a socióloga franco-marroquina Sabah Abouessallam, ao jornal francês Le Monde.

Considerado um dos mais importantes intelectuais do século XX e início do século XXI, Morin deixa uma vasta obra dedicada à compreensão da complexidade humana, da democracia e dos desafios da civilização contemporânea.

Nascido em Paris, em 1921, com o nome Edgar Nahoum, adotou o sobrenome Morin durante a participação na Resistência Francesa contra a ocupação nazi na Segunda Guerra Mundial. Ao longo de mais de oito décadas de produção intelectual, tornou-se referência mundial em áreas como filosofia, sociologia, educação e pensamento político.

Entre as suas obras mais conhecidas estão O Método, Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, Lições de um Século de Vida e, mais recentemente, Lições da História, publicado em 2025. 

Seus livros foram traduzidos para dezenas de idiomas e continuam a influenciar investigadores, professores e líderes em todo o mundo.

Ligação profunda com Portugal

Edgar Morin mantinha uma relação especial com Portugal há mais de seis décadas. Frequentava o país desde os anos 1960 e cultivou amizades com figuras marcantes da vida intelectual e política portuguesa, como António Alçada Baptista, Helena Vaz da Silva e Mário Soares.

Durante a Revolução dos Cravos, Morin destacou-se ao defender publicamente a consolidação da democracia portuguesa, numa altura em que parte da esquerda europeia apoiava soluções políticas diferentes para o país. 

O filósofo argumentava que Portugal precisava simultaneamente de liberdade e justiça social.

A sua última visita a Portugal aconteceu em 2023, quando participou na conferência “O Atlântico – A Nova Carta do Humanismo”, em Lisboa. Na ocasião, voltou a defender uma visão humanista para enfrentar os desafios globais do século XXI.

O pensador da complexidade

Morin tornou-se mundialmente conhecido pelo conceito de “pensamento complexo”, uma abordagem que procura compreender os fenômenos humanos através da interligação entre diferentes áreas do conhecimento.

Para o filósofo, os grandes problemas da humanidade não podem ser explicados por respostas simples ou visões isoladas. 

Ao longo da vida, combateu o autoritarismo, o dogmatismo ideológico e a fragmentação do conhecimento, defendendo uma sociedade baseada na compreensão, no diálogo e na solidariedade.

Seu legado permanece vivo

A morte de Edgar Morin encerra uma das trajetórias intelectuais mais marcantes da contemporaneidade. O seu legado permanece presente em universidades, centros de investigação e movimentos que defendem uma visão mais humana, plural e integrada do mundo.

Como repetia frequentemente, compreender o outro antes de o condenar continua a ser um dos maiores desafios da humanidade.

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