BCE aumenta juros pela primeira vez desde 2023 e alerta para impacto da guerra na inflação

O Banco Central Europeu anunciou uma subida de 25 pontos-base nas taxas de juro, a primeira desde setembro de 2023. A decisão foi justificada pelos riscos inflacionistas associados ao conflito no Médio Oriente. Além disso, o BCE reviu em alta as previsões de inflação e reduziu as estimativas de crescimento económico para os próximos anos.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira (11) um aumento de 25 pontos-base nas taxas de juro diretoras, elevando a taxa de depósito para 2,25%. A alteração entra em vigor a partir de 17 de junho e marca a primeira subida dos juros desde setembro de 2023.

A decisão foi tomada pelo Conselho do BCE em resposta às preocupações com a inflação, agravadas pelas tensões e conflitos no Médio Oriente. Segundo a instituição, o atual contexto geopolítico pode pressionar os preços da energia e das matérias-primas, criando riscos adicionais para a estabilidade dos preços na zona euro.

O banco central destacou ainda que continuará a definir a política monetária com base nos dados económicos mais recentes, sem compromissos prévios sobre futuras decisões.

BCE revê inflação em alta e crescimento em baixa

Com a atualização, as taxas de referência do BCE passam a ser de 2,25% para a facilidade permanente de depósito, 2,40% para as operações principais de refinanciamento e 2,65% para a facilidade permanente de cedência de liquidez.

Além da decisão sobre os juros, o BCE divulgou novas projeções económicas para os próximos anos. A instituição passou a prever uma inflação média de 3% em 2026, desacelerando para 2,3% em 2027 e atingindo 2% em 2028, alinhada com a meta do banco central.

Por outro lado, as perspetivas de crescimento económico foram revistas em baixa. A economia da zona euro deverá avançar apenas 0,8% em 2026, acelerando para 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028.

Segundo o BCE, a revisão reflete os efeitos da guerra sobre os mercados internacionais, incluindo o aumento dos custos das matérias-primas, a redução do rendimento disponível das famílias e a deterioração da confiança de consumidores e empresas.

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