Grécia lança plano habitacional com travas nas rendas e novas regras para moradia

A Grécia apresentou uma nova estratégia nacional de habitação para o período entre 2025 e 2035. O plano reúne 50 medidas destinadas a enfrentar a crise habitacional, incluindo possíveis limites para determinadas rendas, facilidades de crédito para compra da primeira casa, reforço da habitação social e novas restrições ao alojamento local. O objetivo é aumentar a oferta de moradias e tornar o acesso à habitação mais acessível para famílias e jovens.

O governo grego colocou em consulta pública a nova Estratégia Nacional para a Política de Habitação 2025-2035, um amplo plano que pretende responder à crescente crise habitacional enfrentada por milhares de famílias no país.

A proposta reúne 50 medidas voltadas para aumentar a oferta de moradias, facilitar o acesso à casa própria, fortalecer a habitação social e regular segmentos do mercado imobiliário considerados responsáveis pela pressão nos preços.

Limites para determinadas rendas

Uma das novidades do plano é a criação de um índice nacional de preços imobiliários, que acompanhará os valores de venda e arrendamento em todo o território grego.

Segundo a proposta, o indicador poderá servir como base para distinguir imóveis sujeitos ao mercado livre daqueles que poderão ter mecanismos de proteção para os inquilinos.

Entre as hipóteses em estudo está a imposição de limites máximos para rendas de imóveis com baixa qualidade construtiva ou reduzida eficiência energética.

Crédito mais acessível para compra de casas

A estratégia também pretende incentivar a aquisição da primeira habitação por jovens e famílias de rendimento baixo ou médio.

Após programas temporários de apoio à compra de imóveis, o governo quer criar um sistema permanente de financiamento habitacional.

A proposta prevê incentivos fiscais aos bancos para que disponibilizem empréstimos com taxas de juro reduzidas aos beneficiários elegíveis.

Mais restrições ao alojamento local

Outro ponto central da estratégia é o combate aos impactos do alojamento de curta duração no mercado residencial.

O governo considera que plataformas de arrendamento turístico contribuíram para reduzir a oferta de imóveis disponíveis para residentes, especialmente nas grandes cidades e nos principais destinos turísticos.

O plano incorpora medidas já existentes, como:

  • Taxa de resiliência aplicada ao setor;
  • IVA de 13% sobre determinadas operações;
  • Restrições em zonas de elevada pressão habitacional;
  • Proibição de utilizar imóveis adquiridos através do Golden Visa para alojamento local.

Além disso, o governo admite ampliar as limitações para outras regiões caso seja comprovado impacto negativo no acesso à habitação.

Novo modelo de Golden Visa

A estratégia prevê ainda uma modalidade específica de Golden Visa voltada para o arrendamento de longa duração.

Ao contrário do regime tradicional, os investidores poderão adquirir mais de um imóvel, desde que as propriedades sejam destinadas exclusivamente ao mercado habitacional permanente.

A intenção é atrair investimento privado que contribua para aumentar a oferta de moradias, em vez de estimular o turismo de curta duração.

Reforço da moradia social

O documento também aposta na criação de um sistema mais robusto de habitação social, área em que a Grécia ainda apresenta níveis inferiores aos de muitos países europeus.

Entre as medidas previstas estão:

  • Aproveitamento de imóveis públicos;
  • Criação de um Organismo Único de Política de Habitação;
  • Implantação de Gabinetes de Arrendamento Social nos municípios;
  • Desenvolvimento de um fundo específico para habitação social;
  • Incentivos urbanísticos para promotores que construam habitações com rendas acessíveis.

Plano para a próxima década

A estratégia pretende servir como referência para a política habitacional grega até 2035.

Embora muitas medidas ainda dependam da conclusão da consulta pública e da aprovação definitiva, o governo já sinaliza uma intervenção mais forte no mercado imobiliário, procurando equilibrar o acesso à habitação com a necessidade de atrair investimento e manter o crescimento econômico.

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