Onda de calor leva temperaturas acima de 35°C para milhões de pessoas na Europa

Uma intensa onda de calor atinge diversos países da Europa, levando temperaturas acima de 35°C para milhões de pessoas. França, Espanha, Reino Unido, Áustria e Dinamarca estão entre os países afetados. Especialistas da ONU alertam que eventos extremos como este devem se tornar mais frequentes e severos devido às mudanças climáticas.

Milhões de pessoas em vários países da Europa enfrentam uma intensa onda de calor nesta semana. Segundo estimativas baseadas em dados meteorológicos e projeções populacionais, pelo menos 94 milhões de europeus devem registrar temperaturas acima de 35°C nesta quarta-feira (24). Os países mais afetados são França e Espanha.

O calor extremo, porém, não se limita a essas duas nações. Mais de 350 milhões de pessoas devem enfrentar temperaturas superiores a 30°C em todo o continente europeu. Esse número representa cerca de dois terços da população da Europa, excluindo a Turquia.

Os impactos já são visíveis em diversas regiões. Na França, as altas temperaturas causaram problemas no fornecimento de energia elétrica. Um incêndio em um transformador deixou cerca de 68 mil residências sem luz.

O país também bateu um novo recorde de temperatura máxima média. Segundo a agência meteorológica Météo-France, a terça-feira (23) foi o dia mais quente já registrado no território francês. O Indicador Térmico Nacional atingiu 38,2°C. O recorde anterior era de 37,7°C e havia sido registrado em agosto de 2003.

Hospitais e serviços de emergência também registraram aumento na procura por atendimento. Casos relacionados ao calor excessivo, como insolação, cresceram rapidamente nos últimos dias.

Alertas se espalham por vários países europeus

A onda de calor levou diferentes governos a emitirem alertas para a população.

No Reino Unido, entrou em vigor um alerta vermelho para calor extremo em várias regiões. Na Áustria, os serviços meteorológicos emitiram o nível máximo de alerta para o fim de semana. Em algumas áreas, os termômetros podem ultrapassar os 40°C.

Os países do norte da Europa também estão sendo afetados. A Dinamarca deverá entrar em alerta laranja nos próximos dias. As temperaturas podem chegar a 35°C, principalmente nas regiões sul e leste do país.

Especialistas afirmam que eventos como este estão se tornando mais frequentes devido ao aquecimento global. Durante um encontro com jornalistas, o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Jim Skea, alertou para a possibilidade de episódios ainda mais severos.

“Inevitavelmente, viveremos episódios ainda mais intensos do que os observados nos últimos dias”, alertou Jim Skea.

Segundo o especialista, as temperaturas extremas estão aumentando mais rapidamente do que a temperatura média global.

“O aquecimento dos dias mais quentes é maior do que o aquecimento das temperaturas médias. Esse aumento varia entre 50% e 100%. Portanto, se o planeta aquecer 2°C, o dia mais quente do ano poderá ser 3°C ou até 3,5°C mais quente”, explicou.

Skea afirmou que a atual onda de calor está dentro dos cenários previstos pelos cientistas. No entanto, alguns indicadores já se aproximam dos limites projetados anteriormente.

“É exatamente o tipo de fenômeno que prevemos há muito tempo”, afirmou Skea sobre a onda de calor.

“As mensagens que tenho recebido de pesquisadores das ciências físicas indicam que o que estamos observando está no limite da faixa de possibilidades considerada pelo IPCC”, disse o especialista em energia sustentável.

“Mas há uma nuance importante: alguns fenômenos observados em escala regional, assim como determinados indicadores oceânicos, e não atmosféricos, sugerem que já ultrapassamos esse limite”, acrescentou.

OMS pede mais preparação para enfrentar eventos extremos

Diante da frequência crescente das ondas de calor, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a defender investimentos em sistemas de saúde mais preparados para lidar com os efeitos das mudanças climáticas.

“Os líderes devem priorizar investimentos em sistemas de saúde resilientes às mudanças climáticas, ao mesmo tempo que aceleram a ação climática e mitigam os fatores que impulsionam a crise climática”, escreveu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na plataforma X.

Especialistas alertam que ondas de calor, secas e tempestades intensas devem se tornar mais comuns nos próximos anos. Isso aumentará os desafios para governos, sistemas de saúde e populações em diferentes partes do mundo.

 

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