A cidade de Lisboa adotou uma série de medidas para enfrentar a intensa onda de calor que atinge Portugal. Entre elas, está a abertura de três estações do metrô fora do horário habitual de funcionamento para acolher pessoas em situação de rua durante a noite.
A partir desta quarta-feira (1º), as estações Oriente, Rossio e Santa Apolónia permanecerão acessíveis além do horário normal de operação, oferecendo espaços mais frescos para quem não tem onde se abrigar.
A iniciativa foi anunciada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) diante das previsões meteorológicas que levaram o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir um aviso vermelho para o distrito de Lisboa, válido inicialmente entre quinta e sexta-feira.
Segundo o IPMA, as temperaturas máximas poderão atingir 44°C, enquanto as mínimas deverão permanecer entre 24°C e 28°C, cenário que aumenta significativamente os riscos à saúde, principalmente entre idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Estações funcionarão durante a madrugada
Em condições normais, o Metropolitano de Lisboa opera diariamente das 6h30 à 1h da manhã.
Com a medida excepcional, três estações permanecerão abertas durante a madrugada exclusivamente para oferecer proteção contra o calor intenso.
A Câmara Municipal explicou que a decisão busca garantir locais mais seguros durante as noites mais quentes.
“Para garantir áreas mais frescas durante a noite para a população em situação de sem-abrigo.”
Parque de Monsanto permanece aberto, mas situação segue sob monitoramento
Apesar do risco elevado provocado pelas altas temperaturas, a prefeitura informou que, por enquanto, o Parque Florestal de Monsanto continuará aberto ao público.
Questionada sobre um possível fechamento preventivo da área verde, a administração municipal respondeu:
“Para já não.”
Ao mesmo tempo, a autarquia afirmou que acompanha constantemente a evolução das condições meteorológicas e poderá adotar novas medidas caso a situação se agrave.
“A CML está a acompanhar e a monitorizar em contínuo a situação meteorológica, em estreita articulação com os serviços e com as entidades nacionais, e continuará a emitir informações sempre que necessário.”
Festival muda de local por causa do calor
As altas temperaturas também provocaram alterações na programação cultural da cidade.
O festival de música Lisb-On, inicialmente previsto para acontecer no Parque Florestal de Monsanto na sexta-feira e no sábado, teve seu local alterado por decisão da prefeitura em conjunto com a organização do evento.
A programação foi transferida para o Parque Eduardo VII, considerado mais adequado diante das condições climáticas previstas para o fim de semana.
Plano de emergência reúne diferentes órgãos municipais
A Câmara Municipal informou que, sempre que há previsão de calor extremo com risco à saúde da população e aumento do perigo de incêndios rurais, diversos órgãos municipais passam a atuar de forma integrada.
As ações são coordenadas pelo Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) e incluem o aumento do nível de prontidão operacional da Polícia Municipal e do Regimento de Sapadores Bombeiros, além do reforço das campanhas de orientação dirigidas à população e aos frequentadores do Parque Florestal de Monsanto.
Lisboa amplia medidas para enfrentar as ondas de calor
Além das ações emergenciais, a prefeitura afirmou que vem implementando estratégias permanentes para reduzir os impactos das mudanças climáticas na capital portuguesa.
Segundo a administração municipal:
“Paralelamente, Lisboa está a implementar um conjunto de ações estruturantes com o objetivo de reforçar a resiliência do território face às ondas de calor.”
Entre as iniciativas estão a criação de novos parques e jardins, a ampliação das áreas verdes e o plantio de árvores em diferentes regiões da cidade.
De acordo com a Câmara Municipal, essas intervenções ajudam a reduzir a temperatura no ambiente urbano.
“Estas intervenções contribuem diretamente para o aumento do sombreamento, a evapotranspiração e a diminuição da temperatura no ambiente urbano.”
Jardins, bibliotecas e museus funcionam como refúgios climáticos
Durante os períodos de calor intenso, Lisboa também disponibiliza uma rede de espaços considerados “refúgios climáticos”, onde moradores e turistas podem encontrar temperaturas mais amenas.
Entre os locais indicados pela prefeitura estão o Parque Florestal de Monsanto, a Mata de São Domingos de Benfica, o Parque Verde de Carnide, o Jardim do Príncipe Real, o Jardim do Torel, a Avenida da Liberdade, a Tapada das Necessidades, o Jardim do Campo Grande e o Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles.
A rede inclui ainda equipamentos culturais e bibliotecas públicas, como as bibliotecas do Palácio Galveias, Penha de França, Marvila e Belém, além do MUDE – Museu do Design, Casa dos Bicos, Museu do Fado e Cinema São Jorge.
Segundo a autarquia, esses espaços oferecem ambientes internos climatizados durante os dias mais quentes.
“Vários equipamentos culturais e bibliotecas, que disponibilizam ambientes interiores confortáveis e protegidos durante os períodos de maior calor.”
Autoridades orientam população a buscar locais frescos
A Câmara Municipal reforça que utilizar esses espaços pode reduzir os riscos associados às temperaturas extremas e incentivar hábitos mais seguros durante a onda de calor.
Segundo a prefeitura:
“A utilização destes espaços contribui para uma vivência mais segura dos períodos de calor intenso, promovendo simultaneamente o contacto com a natureza, a valorização do património verde da cidade e a adoção de comportamentos mais resilientes face aos desafios climáticos.”
Com a manutenção do aviso vermelho e a previsão de temperaturas excepcionalmente elevadas, as autoridades recomendam que a população evite exposição prolongada ao sol, mantenha-se hidratada e procure locais frescos, especialmente nos horários de maior calor.
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