As autoridades portuguesas fizeram um novo apelo à população para que adote comportamentos preventivos diante da intensa onda de calor que atinge o país e do elevado risco de incêndios florestais. Durante uma conferência de imprensa realizada nesta quinta-feira (2), na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), representantes de diferentes órgãos alertaram que os próximos dias exigirão máxima atenção da população.
O encontro reuniu responsáveis do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, da Liga dos Bombeiros Portugueses, da Guarda Nacional Republicana (GNR), das Forças Armadas, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da Direção-Geral da Saúde.
Onda de calor poderá durar até dez dias
Segundo o meteorologista Jorge Ponte, do IPMA, Portugal enfrentará um período prolongado de temperaturas extremamente elevadas.
“Atingir valores de ordem dos 40 graus ou mesmo superior em algumas regiões, praticamente transversal a todo o continente.”
Além do calor durante o dia, as noites também deverão permanecer muito quentes, com temperaturas acima dos 25°C em diversas regiões.
Jorge Ponte explicou ainda que a previsão aponta para uma longa duração do fenômeno.
“Um episódio bastante prolongado de tempo.”
De acordo com o especialista, a onda de calor poderá persistir por até dez dias. Em Lisboa, a expectativa é de que as temperaturas máximas comecem a diminuir apenas a partir da próxima terça-feira.
Agência para Gestão dos Fogos pede responsabilidade da população
O presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, Jorge Verde, destacou que o momento exige atenção, mas sem gerar pânico.
“É um momento sério, mas que não é um momento para medo, mas sim, de responsabilidade.”
Durante a conferência, ele pediu que a população colabore adotando medidas preventivas para reduzir o risco de incêndios.
“Respeito pelo fogo, respeito por todas as pessoas, pelos cidadãos, respeito pelos bombeiros, pelos separadores florestais, pelos militares, por todos os operacionais que estarão no terreno.”
O responsável também reforçou que qualquer utilização de fogo deve ser evitada neste período.
“Não façam uso do fogo sob qualquer circunstância, bem como não usarem maquinaria que possa dar origem a ignições.”
Segundo Jorge Verde, trata-se de um momento em que a colaboração da população é fundamental.
“É um momento de responsabilidade dos comportamentos de todos os cidadãos.”
Bombeiros enfrentam desafios em duas frentes
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, explicou que as corporações terão de atuar simultaneamente em duas áreas críticas: o combate aos incêndios e o atendimento às emergências médicas provocadas pelo calor intenso.
“Juntamos o risco de incêndio florestal com uma onda de calor e os nossos bombeiros têm que dedicar os seus meios às duas áreas. A área da saúde com emergência para hospitalar em reforço eventual dessa emergência para hospitalar e na área do combate aos incêndios florestais e rurais.”
Apesar do cenário desafiador, António Nunes afirmou que os bombeiros estão preparados para responder às necessidades da população.
“Um momento difícil.”
Ao mesmo tempo, deixou uma mensagem de confiança.
“Uma palavra de esperança.”
E reforçou qual é a prioridade das equipes de emergência.
“Em primeiro lugar estão os cidadãos e é a esses que nós temos que ter toda a atenção e dedicar a nossa missão.”
GNR amplia vigilância com torres e drones
A Guarda Nacional Republicana anunciou o reforço da vigilância em todo o território para identificar rapidamente eventuais focos de incêndio.
Segundo o coronel Ricardo Alves, o objetivo é garantir:
“Haja uma identificação atempada em todo caso de todas as ocorrências de incêndios.”
Para isso, estarão em operação 230 torres de vigia e 147 torres de videovigilância espalhadas pelo país.
Além disso, drones serão utilizados para monitorar áreas de risco.
Segundo o oficial, esses equipamentos permitem:
“Uma maior abordagem de alguns comportamentos de risco e também comportamentos que violam algumas normas legais.”
A GNR também voltou a pedir que a população evite qualquer utilização de fogo e permaneça afastada das áreas florestais durante este período crítico.
As mesmas recomendações foram reforçadas pelas Forças Armadas e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Saúde pede atenção especial aos grupos mais vulneráveis
A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, alertou que o calor extremo representa maior risco para determinados grupos da população.
Entre eles estão crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, que devem redobrar os cuidados com hidratação, exposição ao sol e permanência em ambientes frescos.
Governo decreta situação de alerta em todo o país
Também nesta quinta-feira, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, anunciou que o Governo decretará situação de alerta em razão da persistência das temperaturas elevadas e do agravamento do risco de incêndios.
A medida entra em vigor à meia-noite desta sexta-feira e permanecerá válida até as 23h59 da próxima segunda-feira (6 de julho).
Entre as medidas previstas estão o reforço da capacidade operacional da GNR, da PSP, dos serviços de saúde pública e das equipes de apoio social.
Restrições entram em vigor durante o período crítico
A declaração de situação de alerta também estabelece uma série de restrições para reduzir o risco de incêndios.
Ficam proibidos o acesso, a circulação e a permanência em determinadas áreas e caminhos florestais considerados de maior risco.
Também estarão suspensas todas as queimadas e queimas, inclusive aquelas que já haviam recebido autorização prévia.
Outra proibição atinge a utilização de máquinas e equipamentos que possam provocar faíscas ou iniciar incêndios em áreas florestais, como motorroçadoras com lâminas metálicas, corta-matos, destroçadores e outras máquinas equipadas com lâminas ou pás frontais, exceto quando utilizadas em operações de combate aos incêndios.
As autoridades reforçam que o cumprimento dessas medidas será essencial para reduzir o número de ocorrências durante os próximos dias, período em que Portugal enfrentará uma das mais intensas ondas de calor do ano.
Leia também: Defesa Civil do Trentino leva modelo de prevenção a desastres ao Rio Grande do Sul