Primeira parafarmácia autônoma da Europa abre em Lisboa sem filas e sem funcionários

Lisboa passou a ter a primeira parafarmácia totalmente autónoma da Europa. O espaço, localizado no Parque das Nações, utiliza inteligência artificial, câmaras e sensores para permitir que os clientes escolham produtos e paguem automaticamente, sem filas ou funcionários durante o atendimento. A inovação pretende tornar as compras mais rápidas e dar aos farmacêuticos mais tempo para funções clínicas.

Uma nova forma de comprar produtos de saúde e bem-estar chegou a Portugal. Lisboa passou a contar com uma parafarmácia totalmente autônoma, onde os clientes entram, escolhem os produtos e deixam o espaço sem passar por caixas, filas ou atendimento presencial.

Instalada na zona do Parque das Nações, a loja funciona através de uma combinação de inteligência artificial, câmaras e sensores capazes de acompanhar a movimentação dos consumidores e identificar os artigos retirados das prateleiras.

A proposta é transformar a experiência de compra e, ao mesmo tempo, permitir que farmacêuticos dediquem mais tempo às funções ligadas ao acompanhamento clínico dos utentes.

Loja funciona sem funcionários durante o atendimento

Ao contrário de uma farmácia tradicional, o espaço não possui balcão de atendimento. A entrada é feita através da validação de um cartão bancário, que fica associado à visita do consumidor.

Após entrar, o cliente pode circular livremente, escolher os produtos desejados e sair. O sistema identifica automaticamente os artigos selecionados e realiza a cobrança no cartão apresentado no início da experiência.

Segundo Catarina Dias, farmacêutica responsável pela Pharma&Go, o objetivo da iniciativa é reduzir tarefas comerciais realizadas por profissionais da área e permitir que estes se concentrem em atividades mais especializadas.

“Queremos resguardar os farmacêuticos e os profissionais que temos para a parte clínica”, explicou Catarina Dias.

Inteligência artificial acompanha o percurso dos consumidores

O funcionamento da parafarmácia depende de uma tecnologia que combina centenas de câmaras e sensores instalados no espaço. A inteligência artificial analisa os movimentos dos clientes e identifica quais produtos foram retirados ou devolvidos.

A empresa afirma que o sistema apresenta uma margem de erro reduzida, inferior a 2%, e que a maioria das situações identificadas está relacionada com comportamentos dos próprios consumidores.

Um dos desafios encontrados envolve entradas em grupo. Como o cartão utilizado na porta fica associado às pessoas que entram naquele momento, situações em que um cliente segura a porta para outra pessoa podem gerar associações incorretas entre consumidores e compras.

Experiência de compra mais livre e personalizada

A ausência de filas e caixas permite que cada consumidor faça a compra no seu próprio ritmo. Quem procura apenas um produto pode entrar e sair rapidamente, enquanto outros clientes podem permanecer mais tempo analisando opções disponíveis.

A responsável pelo projeto destaca que a tecnologia não limita a experiência, mas oferece mais autonomia ao consumidor.

O espaço disponibiliza produtos de áreas como dermocosmética, higiene oral, cuidados para bebés e suplementação. Medicamentos, incluindo os de venda livre, continuam fora da oferta da loja neste momento.

Público sénior também adere à novidade

Apesar de a expectativa inicial ser atrair principalmente consumidores mais jovens e familiarizados com tecnologia, a adesão surpreendeu os responsáveis pelo projeto.

De acordo com Catarina Dias, clientes de diferentes idades começaram a utilizar o espaço, incluindo pessoas mais velhas, que conseguiram adaptar-se ao novo modelo pela simplicidade do processo.

A experiência resume-se a três etapas principais: validar o pagamento, escolher os produtos e sair da loja.

Projeto desenvolvido com empresas portuguesas de tecnologia

A parafarmácia, com cerca de 90 metros quadrados, foi criada através de uma parceria entre a Sensei e a Glintt Life, empresas ligadas ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para o comércio e para o setor da saúde.

O projeto foi realizado com investimento privado e representa uma aposta na automação aplicada aos serviços de saúde.

Para Catarina Dias, a evolução da tecnologia mostra que este tipo de solução pode ganhar espaço no futuro, especialmente em compras que não exigem acompanhamento farmacêutico direto.

Com a expansão de modelos autônomos em diferentes setores, a experiência de Lisboa pode representar um novo caminho para o comércio de produtos de saúde na Europa, combinando conveniência, tecnologia e maior autonomia para os consumidores.

 

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