Com a entrada em vigor da nova regra na quinta-feira (16), os usuários de patinetes elétricos na Itália passaram a ter uma nova obrigação: contratar um seguro de responsabilidade civil para cobrir eventuais danos causados a terceiros em acidentes.
A medida faz parte da reforma do Código de Trânsito italiano, aprovada em 2024, e vale tanto para patinetes particulares quanto para veículos compartilhados por aplicativos. No caso dos modelos alugados, a responsabilidade pelo seguro fica com as empresas que oferecem o serviço.
De acordo com a associação de consumidores Assoutenti, o custo estimado da apólice deve variar entre € 35 e € 55 por ano. Quem circular sem o seguro poderá receber uma multa entre € 100 e € 400.
Seguro é mais uma etapa das novas regras para patinetes
A exigência do seguro se soma a uma série de mudanças adotadas pela Itália para aumentar a segurança no uso dos patinetes elétricos.
Entre as regras que já estão em vigor estão a obrigatoriedade do uso de capacete, idade mínima de 14 anos para conduzir o veículo, limites de velocidade, proibição de transportar passageiros e a restrição de circulação pelas calçadas.
Outra mudança recente foi a obrigatoriedade de registro com placa. A medida começou a valer em 16 de maio e determina que todos os patinetes elétricos tenham identificação própria.
A placa custa € 35 e deve ser solicitada por meio do portal do governo italiano. Até agora, cerca de 133 mil patinetes já foram registrados, sendo aproximadamente 33 mil em Milão e 27,9 mil em Roma.
Apesar disso, o número ainda está distante da estimativa de patinetes particulares existentes no país. Segundo a Assoutenti, a Itália teria cerca de 1 milhão de veículos desse tipo, o que significa que apenas uma parcela reduzida já possui registro.
Número de acidentes aumenta nos últimos anos
A preocupação das autoridades italianas está relacionada ao crescimento dos acidentes envolvendo patinetes elétricos.
O meio de transporte começou a se popularizar no país a partir de 2018, principalmente nas grandes cidades, como uma alternativa econômica e sustentável para pequenos deslocamentos.
Dados do Observatório ASAPS mostram que, desde 2020, 97 pessoas morreram na Itália em acidentes envolvendo patinetes elétricos. O maior número de vítimas foi registrado em 2024, com 23 mortes.
Em 2026, até o momento, foram contabilizados seis casos fatais.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat), somente em 2024, 3.751 pessoas ficaram feridas em acidentes envolvendo patinetes, incluindo condutores e passageiros.
Quedas sem outros veículos são maioria dos acidentes
Apesar da associação frequente dos acidentes com colisões no trânsito, a maior parte das ocorrências envolve quedas individuais.
Um estudo realizado pela Associação dos Ortopedistas e Traumatologistas Hospitalares da Itália (Otodi), que analisou acidentes em Roma entre 2018 e 2024, aponta que 78% dos casos ocorreram sem participação de outros veículos.
Entre as principais causas estão problemas na infraestrutura urbana, como buracos nas ruas, além de distrações causadas pelo uso do GPS no celular durante a condução.
O governo italiano espera que a combinação entre novas regras e maior fiscalização ajude a reduzir o número de acidentes.
Fiscalização já aplica centenas de multas
Algumas cidades italianas já começaram a intensificar a fiscalização.
Em Turim, quarta maior cidade do país, um primeiro balanço divulgado após a entrada em vigor da exigência de placas mostrou que foram aplicadas 998 multas em dois meses.
A maioria das infrações estava relacionada ao estacionamento irregular, mas também foram registradas penalidades por falta de capacete, transporte de passageiros e ausência de placa.
Países europeus também endurecem regras
A Itália não é o único país europeu a rever as regras para o uso de patinetes elétricos.
Em diversas cidades, autoridades têm adotado medidas mais rígidas diante do aumento dos acidentes. Em Paris, o serviço de aluguel de patinetes foi proibido em 2023. Madri tomou uma decisão semelhante em 2024, enquanto Praga retirou os veículos das ruas em 2026. Bruxelas também anunciou planos para encerrar o serviço a partir de 2027.
Outros países seguem caminhos diferentes. Na Alemanha, por exemplo, o seguro de responsabilidade civil já é obrigatório para esses veículos. No Reino Unido, patinetes particulares não podem circular em vias públicas, sendo permitidos apenas em áreas privadas.
Com o crescimento do uso dos patinetes nas cidades europeias, governos estudam novas formas de regulamentação para equilibrar mobilidade urbana, inovação e segurança no trânsito.
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