O papa Leão XIV afirmou que pretende visitar os Estados Unidos em um futuro próximo e aproveitou a oportunidade para enviar uma mensagem de incentivo aos imigrantes. As declarações foram feitas durante entrevistas concedidas a emissoras norte-americanas, à margem do evento “Cânticos de Paz”, realizado na última quarta-feira (29), em Castel Gandolfo, residência de verão dos pontífices nos arredores de Roma.
As falas do líder da Igreja Católica ocorrem em um momento em que o debate sobre imigração permanece em evidência nos Estados Unidos, especialmente durante o governo do presidente Donald Trump.
Papa faz apelo por esperança e coragem aos imigrantes
Em entrevista à emissora hispânica Telemundo, Leão XIV dirigiu uma mensagem especialmente às pessoas que deixaram seus países em busca de uma nova vida.
“Tenham esperança, busquem viver de forma ordenada. É preciso aprender a viver em paz e ter coragem e esperança.”
Ao ser questionado se gostaria de levar essa mensagem pessoalmente aos Estados Unidos, o pontífice respondeu que pretende visitar o país.
“Pessoalmente, no sentido de ser em uma visita, claro que sim.”
Viagem aos Estados Unidos está nos planos do Vaticano
O desejo de retornar ao seu país natal também foi confirmado em entrevista à emissora NBC.
Segundo Leão XIV, embora ainda não exista uma data oficial para a viagem, o Vaticano já analisa o calendário dos próximos anos.
“Eles [os americanos] vão me ver lá. Por coincidência, hoje mesmo estávamos olhando o calendário dos próximos dois anos. Ainda não há nada definitivo, mas certamente espero estar lá em breve.”
Até o momento, a Santa Sé ainda não anunciou uma agenda oficial para a possível visita.
“Sou um Papa que, por acaso, é americano”
Durante a entrevista, Robert Francis Prevost também falou sobre o significado de ser o primeiro papa nascido nos Estados Unidos.
Apesar da origem norte-americana, ele ressaltou que sua missão vai muito além de sua nacionalidade.
“Eu me considero mais um Papa que, por acaso, é americano. Não que eu queira diminuir o que significa ser americano. Nasci nos Estados Unidos, minha família ainda mora nos Estados Unidos, tenho um grande amor pela América, mas entendo minha missão como algo que tem uma dimensão muito importante, isto é, ser o pastor de uma Igreja universal e ter uma voz e uma oportunidade de falar com pessoas ao redor do mundo.”
Ao mesmo tempo, reconheceu que sua eleição possui um significado especial para muitos americanos.
“Ser o primeiro Papa americano tem um grande significado” para o povo dos Estados Unidos, “a julgar pela reação que vimos desde 8 de maio do ano passado”.
Pontífice destaca tradição dos Estados Unidos como país de imigrantes
Leão XIV também elogiou aspectos que considera marcantes da sociedade norte-americana, como o espírito de liberdade e a capacidade de acolher pessoas vindas de diferentes partes do mundo.
Segundo ele, essas características fazem parte da identidade histórica do país.
“O senso de liberdade e oportunidade” presente nos EUA, bem como o fato de o país ter “convidado pessoas provenientes de todo o mundo para ser parte da América”.
O papa ainda relacionou essa visão à própria história familiar.
História da família reforça ligação com a imigração
Ao falar sobre suas origens, Leão XIV lembrou que descende de imigrantes e afirmou que sua trajetória familiar o ajuda a compreender diferentes experiências vividas por quem deixa seu país de origem.
“Venho de uma família de avós imigrantes. Por parte de mãe, há pessoas que foram tanto escravas quanto donas de escravos. Há uma história, por assim dizer, de ter crescido no tipo de experiência que ajuda a reconhecer em mim mesmo uma das grandes riquezas dos Estados Unidos, e sigo defendendo os princípios que, por tantos anos, fizeram parte do que significa ser americano, e isso continuará.”
Um estudo realizado no ano passado pelo pesquisador Henry Louis Gates, da emissora PBS, apontou que a árvore genealógica do pontífice reúne diversas origens, incluindo ascendências cubana, italiana e francesa, refletindo a diversidade que marcou a formação de sua família.
As declarações reforçam o posicionamento de Leão XIV em defesa da acolhida, da esperança e do diálogo, temas que têm sido recorrentes desde o início de seu pontificado.
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