A imigração voltou a desempenhar um papel decisivo na dinâmica demográfica da Itália. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat) mostram que, em 2025, o saldo migratório positivo foi suficiente para compensar integralmente o déficit natural registrado no país, evitando que a população italiana diminuísse.
Segundo o levantamento, a Itália registrou um saldo migratório de 296 mil pessoas ao longo do ano. O número coincide praticamente com o déficit natural da população, resultado da diferença entre 652 mil mortes e 355 mil nascimentos, também estimado em 296 mil pessoas.
Na prática, isso significa que, sem a chegada de migrantes, a população italiana teria encolhido em aproximadamente 300 mil habitantes em apenas um ano.
Imigração cresce enquanto população continua envelhecendo
Os dados do Istat revelam que a imigração continua em trajetória de crescimento. Em 2024, o saldo migratório havia sido de 263 mil pessoas. Em apenas um ano, esse número aumentou para 296 mil, reforçando a importância dos fluxos migratórios para a manutenção da população italiana.
Ao mesmo tempo, a Itália segue enfrentando um dos maiores desafios demográficos da Europa: a combinação entre baixa taxa de natalidade, envelhecimento acelerado da população e elevado número de mortes.
Com apenas 355 mil nascimentos registrados em 2025, o país permanece distante do nível necessário para garantir a reposição natural da população.
Marrocos e Bangladesh lideram origem dos imigrantes
Entre os países de origem dos migrantes que chegaram à Itália, Marrocos ocupa a primeira posição, seguido por Bangladesh.
Os dados também apontam uma mudança em relação aos fluxos históricos da migração italiana. Segundo o Istat, houve redução na saída de italianos para países da América Latina, indicando que menos cidadãos estão deixando o país em comparação com décadas anteriores.
Embora o movimento de emigração continue existindo, ele ocorre em menor intensidade do que no passado, enquanto a chegada de estrangeiros se torna cada vez mais relevante para o equilíbrio populacional.
Sul da Itália perde jovens qualificados para o Norte
Além dos desafios relacionados à imigração e ao envelhecimento da população, o estudo chama atenção para outro fenômeno que preocupa especialistas: o êxodo interno de jovens altamente qualificados.
De acordo com o Istat, aproximadamente 150 mil jovens com ensino superior deixaram regiões do Mezzogiorno, como Campânia, Sicília, Basilicata e Calábria, para viver e trabalhar em regiões mais desenvolvidas do Norte e do Centro da Itália, como Lombardia, Lazio e Veneto.
Esse movimento amplia as desigualdades econômicas entre as regiões italianas e reduz o potencial de desenvolvimento do Sul, que perde parte significativa de sua mão de obra qualificada.
Norte concentra crescimento econômico e populacional
O levantamento mostra que as regiões mais desenvolvidas do país continuam concentrando a maior parte da atração populacional.
Além de receberem milhares de imigrantes estrangeiros todos os anos, cidades do Norte também atraem italianos em busca de melhores oportunidades de emprego, salários mais altos e maior oferta de serviços.
Essa dupla dinâmica, (imigração internacional e migração interna), fortalece o crescimento demográfico das regiões mais ricas, enquanto o Sul enfrenta perda contínua de população jovem.
Especialistas apontam dependência crescente da imigração
Os números divulgados pelo Istat reforçam uma tendência observada há vários anos: a imigração tornou-se um fator essencial para reduzir os impactos da crise demográfica italiana.
Sem o saldo migratório positivo registrado em 2025, a Itália teria apresentado uma redução significativa de sua população, agravando ainda mais os desafios relacionados ao envelhecimento, à redução da força de trabalho e à sustentabilidade do sistema previdenciário.
O cenário evidencia que, além de políticas voltadas ao incentivo da natalidade, o país deverá continuar debatendo o papel da imigração na economia e no equilíbrio demográfico nas próximas décadas.
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