Mulheres são convocadas a parar por 24 horas em mobilização internacional contra desigualdade de gênero

Ação da organização World with Women ocorre nesta terça-feira (13), em mais de 20 países, e busca dar visibilidade ao trabalho feminino e acelerar a igualdade econômica e política.

Mulheres de mais de 20 países são convocadas a interromper suas atividades durante 24 horas nesta terça-feira (13) para denunciar as desigualdades de gênero. A mobilização internacional é organizada pelo movimento World with Women (WwW) e busca chamar a atenção para o trabalho feminino, incluindo atividades domésticas e de cuidado que, muitas vezes, não são remuneradas nem reconhecidas.

A iniciativa é inspirada na histórica greve das mulheres na Islândia, realizada em 24 de outubro de 1975. Na ocasião, cerca de 90% das islandesas deixaram de trabalhar, cozinhar e cuidar das tarefas domésticas por um dia. A paralisação teve impacto nacional e se tornou um marco na luta pelos direitos das mulheres.

Criada na França no primeiro semestre de 2026, a World with Women pretende transformar a mobilização simbólica em um instrumento de pressão por mudanças sociais, econômicas e políticas.

Movimento internacional tem ato central em Paris

O principal ato da mobilização está previsto para esta terça-feira, às 12h, na Place de la Bataille de Stalingrad, no 19º distrito de Paris. A organização também incentiva manifestações e ações em outras cidades ao redor do mundo.

Em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), a brasileira Ligia Paraiso, coordenadora internacional da World with Women, explicou que o movimento surgiu a partir de uma reflexão sobre a importância das mulheres na sociedade.

A proposta é evidenciar o impacto de suas atividades ao interromper, sempre que possível, tanto o trabalho remunerado quanto as tarefas domésticas e de cuidado.

“Na Islândia, em 1975, 90% das mulheres pararam. Não foram trabalhar, não fizeram os serviços domésticos, não fizeram compras”, recordou Ligia.

Segundo a coordenadora, a experiência islandesa demonstrou a capacidade de uma paralisação coletiva de provocar mudanças na percepção social sobre o papel das mulheres.

“Nós iremos parar para que o invisível, ou seja, o trabalho da mulher, tenha mais visibilidade no mundo”, afirmou.

A orientação é que as participantes interrompam suas atividades durante 24 horas. Para aquelas que não podem aderir à paralisação, o movimento sugere participar da campanha pelas redes sociais.

Desigualdade econômica e política está entre as prioridades

A World with Women pretende ir além de um ato de conscientização. A organização estruturou sua atuação em dez medidas concretas, distribuídas em cinco compromissos: liberdade das mulheres, garantia de direitos, compartilhamento do poder, construção de um futuro mais justo e sustentável e promoção do interesse geral.

A coordenadora cita estimativas internacionais para destacar a dimensão do desafio. Segundo Ligia, se o ritmo atual de avanço for mantido, a igualdade política poderá levar 300 anos para ser alcançada, enquanto a igualdade econômica exigiria, em média, 134 anos.

“Se continuarmos como estamos hoje, vamos levar 300 anos para alcançar a igualdade política e, em média, 134 anos para atingir a igualdade econômica”, declarou.

“Nós queremos mudar isso e acreditamos que a World with Women pode ser um catalisador para que não seja necessário esperar três séculos por essa igualdade”, acrescentou.

O movimento busca influenciar tanto políticas públicas quanto práticas empresariais. De acordo com Ligia, cerca de 250 organizações, associações e empresas já aderiram à iniciativa.

Entre os apoiadores citados estão a Climate House, a Orange Business e a Fondation des Femmes. A mobilização também conta com o apoio de personalidades como Élisabeth Moreno, ex-ministra francesa da Igualdade entre Mulheres e Homens; Gabriela Ramos, economista mexicana e vice-diretora-geral da Unesco; e Néziha Labidi, ex-ministra tunisiana responsável por políticas para mulheres, famílias e crianças.

Mulheres que não podem parar também são contempladas

A organização reconhece que nem todas as mulheres têm condições de interromper o trabalho, especialmente aquelas que atuam em serviços essenciais, possuem empregos precários ou enfrentam dificuldades financeiras.

Por isso, a campanha propõe que a participação também ocorra por meio das redes sociais e de outras formas de apoio. A intenção é dar visibilidade às desigualdades mesmo entre mulheres que não podem aderir diretamente à paralisação.

“Mulheres que têm o privilégio de poder parar vão parar por aquelas que não podem”, afirmou Ligia.

A iniciativa também pretende alcançar mulheres que vivem em países onde manifestações públicas enfrentam restrições.

Movimento defende participação dos homens

Apesar de ter as mulheres como protagonistas, a World with Women afirma que a mobilização não é uma ação contra os homens. A organização defende a participação masculina na construção de uma sociedade mais igualitária.

“Homens também são super bem-vindos. Nós não estamos contra os homens. Queremos essa mistura, essa ação conjunta. São mulheres e homens juntos para mudar o curso do futuro da história”, concluiu a coordenadora.

A mobilização desta terça-feira busca transformar a visibilidade gerada pela paralisação em compromissos concretos de governos, empresas e instituições. A expectativa do movimento é ampliar o debate sobre a distribuição do trabalho, a participação feminina nas decisões políticas e econômicas e a necessidade de acelerar a igualdade de gênero.

 

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