Uma falha técnica na rede de transmissão de dados utilizada pelo controle de tráfego aéreo da Itália provocou cancelamentos, atrasos e interrupções de voos em diferentes regiões do país nesta sexta-feira (16). O problema reduziu temporariamente pela metade a capacidade de gerenciamento das aeronaves no espaço aéreo italiano.
A anomalia foi identificada durante a madrugada pela Enav, empresa responsável pelos serviços de navegação aérea na Itália. A falha atingiu a rede de comunicação utilizada pelos controladores para organizar e acompanhar o deslocamento das aeronaves.
Entre os aeroportos afetados estão os de Roma, Milão, Bergamo, Turim, Bolonha, Florença, Gênova, Bari e Trieste. Os transtornos atingiram partidas, chegadas e conexões, com reflexos sobre a programação das companhias aéreas.
No aeroporto de Roma-Fiumicino, o mais movimentado do país, pelo menos 12 voos haviam sido cancelados até o meio-dia, no horário local, segundo informações divulgadas pela agência ANSA.
Falha técnica reduziu capacidade do controle aéreo
A Enav informou que os sistemas de contingência permitiram manter as operações em condições normais até as 6h desta sexta-feira. No entanto, com o aumento do movimento de aeronaves e a continuidade do problema, foi necessário limitar o fluxo de tráfego aéreo.
A medida teve como objetivo preservar a segurança das operações enquanto as equipes técnicas trabalhavam para restabelecer o funcionamento dos sistemas.
A redução de 50% na capacidade de gerenciamento não significa que metade de todos os voos tenha sido cancelada. O percentual se refere à quantidade de tráfego que o sistema consegue administrar em determinadas condições.
Na prática, quando a capacidade dos controladores é reduzida, menos aeronaves podem ser acompanhadas simultaneamente. Isso pode exigir espaçamentos maiores entre os voos, limitar as decolagens e provocar atrasos em cadeia.
Além disso, as restrições podem afetar aeronaves que ainda não chegaram aos aeroportos italianos. Alterações na programação de um voo podem comprometer conexões e horários de partidas em outros destinos.
Aeroportos de Roma e Milão estão entre os mais afetados
Os problemas atingiram importantes centros de transporte aéreo da Itália, incluindo os aeroportos de Roma-Fiumicino e Milão-Malpensa.
Também foram registrados transtornos em Milão-Linate e Bergamo-Orio al Serio, além de terminais em outras cidades italianas.
A extensão dos impactos depende da programação de cada aeroporto, do volume de tráfego e das restrições adotadas durante a recuperação do sistema. Por isso, passageiros podem enfrentar situações diferentes, mesmo quando viajam a partir da mesma região.
Os efeitos também podem alcançar passageiros em trânsito pela Itália ou que utilizam aeroportos italianos como ponto de conexão para outros países europeus.
TIM é apontada por Salvini, mas causa ainda é investigada
O vice-primeiro-ministro e ministro da Infraestrutura e dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, atribuiu o problema à TIM, empresa de telecomunicações relacionada à rede de transmissão de dados utilizada pela Enav.
Salvini cobrou providências para restabelecer o serviço e afirmou que poderá exigir esclarecimentos sobre a falha e os prejuízos provocados aos passageiros.
Apesar da manifestação do ministro, a responsabilidade técnica definitiva ainda não havia sido estabelecida oficialmente.
A Enav informou que a origem das anomalias foi localizada na rede de transmissão de dados, mas que a causa específica continuava sob investigação.
A empresa também descartou, segundo as informações divulgadas, a hipótese de um ataque cibernético ou de sabotagem.
A identificação do ponto de falha, portanto, não significa que todas as causas técnicas já tenham sido esclarecidas. A investigação deverá determinar o que provocou a interrupção e quais medidas serão necessárias para evitar novos episódios.
Capacidade do sistema começa a se recuperar
Após a redução inicial, a capacidade de gerenciamento do tráfego aéreo chegou a aproximadamente 75%, segundo informações divulgadas pela Associated Press nesta sexta-feira.
A recuperação parcial foi possível com a utilização de uma rede alternativa de comunicação por satélite.
A solução permitiu ampliar a capacidade operacional enquanto as equipes trabalhavam para normalizar os sistemas afetados. Mesmo assim, a recuperação parcial não significa que todos os voos tenham voltado imediatamente aos horários previstos.
Quando uma falha provoca restrições ao tráfego aéreo, os efeitos podem continuar mesmo depois da retomada de parte da capacidade. Aeronaves e tripulações precisam ser reorganizadas, e os atrasos acumulados podem afetar as operações seguintes.
A Enav afirmou que a segurança dos voos não foi comprometida e que continuava trabalhando com os fornecedores para restabelecer integralmente os sistemas.
O que fazer se você tem voo para a Itália?
Passageiros com viagens programadas para esta sexta-feira devem acompanhar a situação diretamente com a companhia aérea responsável pelo voo. A recomendação vale tanto para quem parte do Brasil com destino à Itália quanto para quem já está no país e pretende viajar para outra cidade ou seguir para um destino internacional.
Confira as principais medidas:
- Consulte o status do voo: verifique o aplicativo ou o site da companhia aérea antes de sair para o aeroporto.
- Confirme os horários: mesmo que o voo ainda apareça como confirmado, acompanhe possíveis alterações no horário de embarque.
- Verifique as conexões: passageiros com escalas ou conexões devem confirmar se os trechos seguintes continuam programados.
- Guarde os comprovantes: mantenha cartões de embarque, mensagens da companhia e recibos de despesas adicionais relacionadas ao problema.
- Procure a companhia em caso de cancelamento: solicite informações sobre as alternativas disponíveis para continuar a viagem.
No caso de cancelamentos ou atrasos relevantes, os direitos dos passageiros dependem das circunstâncias da ocorrência e das regras aplicáveis ao transporte contratado. Por isso, é importante solicitar orientações formais à companhia aérea e guardar os registros do atendimento.
A normalização completa do tráfego depende do restabelecimento dos sistemas de comunicação e da reorganização das operações nos aeroportos afetados.
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