A reforma da Lei da Nacionalidade portuguesa, aprovada pelo Parlamento em outubro de 2025, está suspensa e sem efeito prático neste início de 2026. A legislação permanece “na gaveta”, aguardando a definição de uma nova composição do Tribunal Constitucional e a reformulação de normas consideradas controversas. A espera gera incerteza para milhares de estrangeiros que vivem em Portugal e sonham com a cidadania.
O que a reforma previa
O projeto de lei aprovado pelo Parlamento, apoiado pelo PSD e outros partidos da coligação, pretendia alterar regras consideradas mais flexíveis, especialmente para cidadãos estrangeiros da CPLP e da União Europeia. Entre as principais mudanças estavam:
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Aumento do tempo de residência para naturalização: de 5 anos para até 7 anos para cidadãos da CPLP/UE e 10 anos para outros estrangeiros.
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Mudança na contagem do tempo de residência: o prazo passaria a contar apenas a partir da emissão do título de residência, penalizando quem já aguardava por autorizações.
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Novos critérios para perda de nacionalidade: punições para crimes ou comportamentos considerados contrários aos interesses da comunidade nacional e regras mais restritivas para filhos de estrangeiros nascidos em Portugal.
Se tivesse sido aprovada, a reforma impactaria diretamente milhares de processos de cidadania, incluindo brasileiros e outras comunidades imigrantes, alterando expectativas legais já estabelecidas.
O papel do Tribunal Constitucional
O Tribunal Constitucional analisou a lei antes da promulgação, através de fiscalização preventiva de constitucionalidade solicitada pelo PS. Em dezembro de 2025, concluiu que quatro normas violavam princípios constitucionais, como igualdade, proporcionalidade e confiança legítima:
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Impedimento automático de acesso à cidadania para condenados a penas de 2 anos ou mais.
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Critérios vagos sobre “fraude manifesta” na concessão da nacionalidade.
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Alteração da data de referência para requisitos pendentes, prejudicando a estabilidade jurídica dos requerentes.
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Cancelamento de registros de nacionalidade com base em comportamentos de rejeição à comunidade nacional.
A decisão suspendeu automaticamente a aplicação da lei até que o Tribunal emita o acórdão formal.
Veto presidencial e impasse político
Em dezembro de 2025, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa vetou a lei, devolvendo-a ao Parlamento e ressaltando o impacto humano das decisões jurídicas: “É importante que o Estado respeite a expectativa legítima de quem planeja a própria vida em Portugal.”
O veto gerou impasse político: o Parlamento precisará reformular e reenviar o texto, enquanto partidos como o PS condicionam a retomada das negociações à nomeação de um novo Tribunal Constitucional e ao desfecho das eleições presidenciais de 2026.
Consequências práticas
Até que o novo texto seja aprovado e validado:
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O prazo de residência para solicitar cidadania permanece 5 anos.
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O tempo de espera pelo título de residência continua sendo contado.
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Nenhuma das novas regras aprovadas em outubro de 2025 tem efeito legal.
Essa situação garante segurança jurídica para quem está em processo de naturalização ou pretende iniciar o pedido, evitando mudanças inesperadas.
O que você deve esperar
Quem deseja a cidadania portuguesa deve se preparar para:
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Processos atuais continuam válidos: pedidos em andamento seguem pelas regras antigas.
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Possíveis mudanças futuras: novas normas podem entrar em vigor após ajustes no Parlamento e análise do Tribunal Constitucional.
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Decisão final pode levar meses: todo o processo depende de reforma das normas, nova votação parlamentar e aprovação do Presidente.
Em resumo, a recomendação é manter-se informado e ter paciência, já que qualquer mudança ainda depende de trâmites políticos e judiciais.
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