União Europeia concede 1,2 milhão de cidadanias em 2024 e bate recorde histórico

Dados da Eurostat mostram que a União Europeia concedeu quase 1,2 milhão de cidadanias em 2024, um aumento de 11,6% em relação a 2023. Alemanha, Espanha e Itália lideram o ranking, enquanto sírios, marroquinos e albaneses estão entre os principais beneficiados. O crescimento reflete o impacto de conflitos e das políticas migratórias no continente.

A Eurostat revelou que os países da União Europeia atingiram um novo recorde na concessão de cidadania em 2024. Ao todo, quase 1,2 milhão de pessoas se tornaram cidadãos europeus no período, um crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.

O número também representa um salto expressivo ao longo da última década, com alta superior a 50% em comparação com 2014.

Alemanha, Espanha e Itália lideram concessões

A maior parte das cidadanias foi concedida por três países:

  • Alemanha: cerca de 288 mil
  • Espanha: aproximadamente 252 mil
  • Itália: cerca de 217 mil

Juntos, esses países concentraram mais da metade de todas as concessões no bloco europeu.

Na sequência, aparecem França e Suécia, consolidando o protagonismo da Europa Ocidental nesse processo.

Sírios, marroquinos e albaneses lideram entre novos cidadãos

Entre as nacionalidades que mais adquiriram cidadania europeia, destaque para:

  • Sírios (cerca de 110 mil)
  • Marroquinos (97 mil)
  • Albaneses (48 mil)

Esses grupos refletem, em grande parte, os fluxos migratórios recentes e os impactos de crises internacionais.

Também aparecem no ranking cidadãos de países como Turquia, Venezuela, Ucrânia, Índia, Rússia e Brasil.

Brasil lidera concessões em Portugal

Em Portugal, os brasileiros foram o grupo que mais recebeu cidadania em 2024, com cerca de 7.200 concessões.

Na sequência, aparecem cidadãos de Cabo Verde, reforçando a forte ligação histórica e migratória entre esses países e o território português.

Conflitos e migração impulsionam números

Especialistas apontam que guerras e crises humanitárias tiveram impacto direto no aumento das naturalizações. Países como Síria e Ucrânia, por exemplo, aparecem com destaque entre os novos cidadãos.

Além disso, a própria dinâmica migratória na Europa ajuda a explicar o fenômeno. Em 2024, o bloco recebeu cerca de 4,2 milhões de imigrantes de fora da UE, evidenciando a pressão e a importância das políticas de integração.

Tendência de alta na última década

O crescimento no número de cidadanias concedidas não é pontual. Desde 2014, quando cerca de 762 mil pessoas obtiveram nacionalidade europeia, os números vêm subindo de forma consistente.

Esse avanço reflete mudanças legislativas, maior mobilidade global e políticas de integração adotadas por diversos países do bloco.

Diferenças entre países

Apesar dos números absolutos, alguns países se destacam pela proporção de estrangeiros que conseguem se naturalizar.

A Suécia, por exemplo, lidera em taxa de naturalização, seguida por Itália e Espanha, indicando maior facilidade relativa de acesso à cidadania nesses países.

Um novo retrato da Europa

Os dados reforçam uma transformação demográfica em curso na União Europeia, marcada por maior diversidade e integração de populações estrangeiras.

Com recordes sucessivos e mudanças no perfil dos novos cidadãos, a cidadania europeia se consolida cada vez mais como um elemento central nas políticas migratórias e sociais do bloco.

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