Brasileiros ajudam a reabrir salas de aula em vila portuguesa após anos de encerramento

A vila de Vagos, no distrito de Aveiro, voltou a abrir salas de aula que estavam fechadas há anos devido ao aumento da população impulsionado pela imigração. Segundo o presidente da Câmara Municipal, Rui Cruz, famílias brasileiras e venezuelanas têm contribuído para repovoar escolas, creches e jardins de infância, revertendo uma tendência de envelhecimento e diminuição populacional que afetava a região.

A chegada de famílias imigrantes, especialmente brasileiras, está transformando a realidade da vila de Vagos, no distrito de Aveiro, em Portugal. 

Depois de anos de redução populacional e encerramento de salas de aula, o município voltou a registrar crescimento e já precisou reabrir espaços escolares que estavam desativados.

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Vagos, Rui Cruz, o fenómeno tornou-se evidente nos últimos dois anos, com a entrada de um número crescente de crianças nas creches, jardins de infância e escolas públicas da região.

“Começámos a sentir a necessidade de reabrir salas de aula que estavam fechadas há vários anos devido ao aumento do número de alunos, sobretudo filhos de brasileiros e venezuelanos”, afirmou o autarca durante o evento NovaNext, realizado em Aveiro.

População voltou a crescer

Vagos acompanhava a tendência demográfica de grande parte de Portugal, marcada pelo envelhecimento da população e pela redução do número de habitantes.

Em 2021, o município contava com cerca de 21 mil habitantes. Atualmente, esse número já ultrapassa os 25 mil residentes, dos quais aproximadamente 4 mil são estrangeiros.

O crescimento levou a autarquia a reforçar investimentos em áreas como:

  • Educação;
  • Habitação;
  • Saúde;
  • Infraestruturas públicas.

Segundo Rui Cruz, caso a tendência se mantenha, poderá ser necessário construir novas escolas nos próximos anos.

Brasileiros já representam quase metade dos alunos estrangeiros

Dados do Ministério da Educação de Portugal, compilados pela Fundação Belmiro de Azevedo no Balanço Anual da Educação 2026, mostram que os filhos de brasileiros representam praticamente metade dos estudantes estrangeiros matriculados nas escolas portuguesas.

Dos 164.492 alunos estrangeiros atualmente inscritos:

  • Cerca de 82 mil são brasileiros;
  • O grupo representa 47% do total de estudantes estrangeiros.

A fundação destaca que a presença brasileira deixou de ser um fenómeno pontual e passou a desempenhar um papel estrutural na diversidade do sistema educativo português.

Integração e desafios

Embora o impacto seja considerado positivo, especialistas apontam desafios relacionados à adaptação dos alunos brasileiros, especialmente devido às diferenças linguísticas entre o português do Brasil e o português europeu.

Ainda assim, o município vê a imigração como uma oportunidade para combater o declínio demográfico e fortalecer a economia local.

Impacto na economia portuguesa

Rui Cruz também destacou a contribuição dos imigrantes para a sustentabilidade financeira do país.

Segundo dados recentes, os trabalhadores estrangeiros contribuem com mais de 3 mil milhões de euros por ano para a Segurança Social portuguesa. Apenas os brasileiros foram responsáveis por cerca de 1,4 mil milhões de euros em contribuições no último ano.

Para o autarca, a imigração já se tornou um elemento essencial para o futuro demográfico e económico de Portugal.

“Os imigrantes estão a ajudar a revitalizar comunidades, manter escolas abertas e reforçar a sustentabilidade do país”, afirmou.

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