Papa Leão XIV defende imigrantes e alerta para crise global em discurso na Espanha

Em discurso no Parlamento espanhol, o papa Leão XIV afirmou que o mundo enfrenta uma "profunda crise espiritual e cultural", marcada por violência, polarização e desconfiança. O pontífice defendeu políticas de acolhimento aos imigrantes, criticou o aumento dos gastos militares, pediu maior controle ético sobre a inteligência artificial e reiterou posições da Igreja sobre a proteção da vida, liberdade religiosa e combate aos abusos sexuais.

Durante discurso realizado na última segunda-feira (8) no Parlamento espanhol, o papa Leão XIV fez um dos pronunciamentos mais contundentes de seu pontificado ao abordar temas como imigração, conflitos internacionais, gastos militares, inteligência artificial e direitos humanos.

Diante de parlamentares e autoridades, o pontífice afirmou que o cenário internacional enfrenta desafios cada vez mais complexos e que a comunidade global vive um momento de instabilidade em diversas frentes.

Segundo o papa, “o mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta por meio de múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança recíproca”.

O discurso foi recebido com aplausos prolongados no Parlamento espanhol e rapidamente repercutiu nos meios políticos e religiosos do país.

Defesa dos imigrantes e crítica às causas do deslocamento

Ao abordar a questão imigratória, Leão XIV pediu maior comprometimento dos governos na proteção das pessoas que deixam seus países em busca de segurança e melhores condições de vida.

O pontífice alertou que a falta de apoio aos imigrantes coloca em risco valores fundamentais da convivência internacional e defendeu que os Estados atuem não apenas no acolhimento, mas também no combate às causas que provocam os fluxos migratórios.

“A grandeza moral de uma nação se manifesta antes de tudo em sua capacidade de acolher, proteger e amar essas vidas que atravessam sua maior fragilidade”, declarou.

A agenda do papa na Espanha inclui ainda um encontro com imigrantes e organizações sociais nas Ilhas Canárias, previsto para a próxima sexta-feira (12).

Gastos militares e inteligência artificial também foram alvo de críticas

Outro tema destacado pelo líder da Igreja Católica foi o crescimento dos investimentos militares em diversos países europeus. Leão XIV voltou a defender esforços diplomáticos para encerrar conflitos e demonstrou preocupação com a escalada armamentista observada nos últimos anos.

O papa também reforçou a necessidade de supervisão ética sobre o avanço da inteligência artificial, especialmente em aplicações relacionadas à segurança e à guerra.

Segundo ele, é necessária uma “vigilância ética rigorosa” sobre o uso dessa tecnologia em conflitos armados.

Aborto, liberdade religiosa e abusos na Igreja

Durante sua fala, Leão XIV reiterou a posição da Igreja Católica sobre a proteção da vida desde a concepção até a morte natural, tema que ganha relevância no contexto do debate político espanhol sobre a ampliação de direitos reprodutivos.

“Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida de sua concepção até o seu fim natural”, afirmou.

O pontífice acrescentou que “quando esta certeza se obscurece, os mais vulneráveis são as primeiras vítimas”.

Leão XIV também defendeu a preservação da liberdade religiosa e argumentou que a fé deve continuar tendo espaço no debate público.

Segundo ele, a religião “não pode ser relegada ao silêncio como se não tivesse relevância na vida pública”.

O papa ainda manifestou apoio à manutenção do sigilo da confissão católica, classificando-o como uma forma de garantir “um espaço sagrado de liberdade interior, onde o fiel pode abrir sua alma diante de Deus”.

Encontro com vítimas de abusos

Após a sessão no Parlamento, Leão XIV reuniu-se com bispos espanhóis e voltou a tratar dos casos de abusos sexuais envolvendo membros da Igreja. O pontífice afirmou que as vítimas devem ser ouvidas e que é necessário oferecer mecanismos de reparação.

Segundo informações divulgadas pela Santa Sé, o papa também pretende encontrar um grupo de vítimas durante sua visita à Espanha, embora detalhes do encontro ainda não tenham sido divulgados.

A viagem reforça a intenção de Leão XIV de abordar temas sociais, políticos e religiosos que vêm marcando o debate internacional, posicionando a Igreja em discussões que vão da imigração aos impactos das novas tecnologias.

 

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