A proximidade do verão europeu tem aumentado a preocupação de companhias aéreas e administradoras de aeroportos em diversos países do continente. O motivo é a implementação do Sistema de Entrada e Saída (EES), mecanismo que utiliza dados biométricos para registrar a entrada e a saída de viajantes de fora da União Europeia e do Espaço Schengen.
Em meio aos preparativos para uma temporada que deve registrar recorde de passageiros, gestores aeroportuários alertam para o risco de congestionamentos nos controles de fronteira e defendem medidas emergenciais para evitar longas filas.
A principal preocupação foi expressa pela Aeroporti di Roma, responsável pelos aeroportos de Fiumicino e Ciampino. A empresa pediu que os novos controles biométricos sejam temporariamente suspensos e advertiu para possíveis transtornos operacionais durante os meses de maior movimento.
“Estamos muito preocupados com o verão, numa escala de um a dez eu diria oito ou nove”, afirmou ao Financial Times Marco Troncone, presidente da Aeroporti di Roma. Segundo ele, o sistema pode não suportar os picos de passageiros previstos para os próximos meses e talvez precise ser interrompido para evitar “desastres”.
Vale lembrar que as novas verificações não afetam cidadãos que viajam com passaportes de países da União Europeia. O controle biométrico é direcionado a viajantes provenientes de países fora do Espaço Schengen, incluindo brasileiros, britânicos e norte-americanos sem cidadania europeia.
Tempos de espera aumentam nos principais aeroportos
Os alertas não se limitam à capital italiana. Em maio, Armando Brunini, presidente da Sea, empresa que administra os aeroportos de Milão Malpensa e Linate, também chamou atenção para os impactos do novo sistema.
Segundo Brunini, o tempo médio necessário para processar cada passageiro praticamente dobrou após a adoção das novas verificações. Para ele, os atrasos decorrem de uma combinação de fatores estruturais e tecnológicos.
Entre os principais desafios estão a necessidade de integração entre os sistemas nacionais dos 27 países membros da União Europeia, a comunicação entre diferentes bases de dados e a escassez de agentes de controle de fronteira em alguns aeroportos.
Outro problema apontado é a implementação limitada do aplicativo que permite aos viajantes realizarem parte do cadastro antes da viagem. Até o momento, a ferramenta está disponível em poucos países e ainda opera de forma parcial.
Aeroportos defendem maior flexibilidade
Representantes do setor aeroportuário europeu também têm pressionado as autoridades comunitárias por maior flexibilidade na aplicação das regras.
“Os políticos deveriam parar de fingir que o EES funciona, porque ele não funciona”, declarou Stefan Schulte, presidente da ACI Europe, em entrevista à BBC.
Já Olivier Jankovec, diretor-geral da entidade, afirmou que os portões automatizados precisam operar de maneira mais eficiente e defendeu a possibilidade de suspender completamente os registros biométricos durante os períodos de maior movimento turístico.
Em alguns destinos da Grécia, por exemplo, autoridades locais já permitiram que determinados viajantes britânicos passassem pelos controles sem realizar o procedimento completo do EES. A expectativa é que outros aeroportos adotem medidas semelhantes caso as filas continuem aumentando.
Comissão Europeia rebate críticas
Apesar das reclamações do setor, a Comissão Europeia sustenta que o sistema está plenamente operacional em todos os países participantes do Espaço Schengen.
Segundo Bruxelas, as filas registradas em alguns aeroportos não podem ser atribuídas exclusivamente ao novo mecanismo biométrico. O órgão afirma que fatores como falta de pessoal, infraestrutura insuficiente e concentração de voos em horários específicos também contribuem significativamente para os atrasos.
A Comissão destaca ainda que a legislação já prevê mecanismos de flexibilidade para situações excepcionais, incluindo a possibilidade de suspender temporariamente os controles biométricos quando houver necessidade operacional.
Para as autoridades europeias, cabe a cada Estado-membro garantir recursos adequados e aplicar corretamente as normas para evitar impactos aos passageiros.
Enquanto o debate continua, aeroportos e companhias aéreas acompanham com atenção a chegada do verão europeu, período que tradicionalmente concentra milhões de viajantes e que poderá servir como primeiro grande teste para o novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia.
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