A proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar suas competições e vender parte desse negócio a investidores privados provocou reação da União Europeia. Nesta quarta-feira (29), o comissário europeu de Esportes, Glenn Micallef, afirmou que o projeto representa um risco para a essência do futebol e anunciou que a Comissão Europeia acompanhará a iniciativa sob a ótica das regras de concorrência do bloco.
A entidade máxima do futebol pretende criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa responsável pela gestão comercial de torneios como a Copa do Mundo. A expectativa é que a nova companhia tenha valor de mercado estimado em US$ 20 bilhões, com a venda de aproximadamente US$ 4,2 bilhões em participação para investidores privados.
União Europeia vê ameaça à essência do futebol
Em publicação na rede social X, Glenn Micallef afirmou que a crescente comercialização do esporte ultrapassou os limites aceitáveis.
“A comercialização desenfreada do futebol tornou-se corrosiva.”
O comissário destacou que a Copa do Mundo continua sendo o maior torneio esportivo do planeta, mas alertou que o excesso de exploração comercial pode comprometer sua identidade.
“Isto não é beisebol. A Copa do Mundo continua sendo o maior torneio esportivo do planeta, apesar de a Fifa explorar todas as oportunidades comerciais. Mas tudo tem limite.”
Segundo Micallef, a proposta da Fifa coloca em risco características que fizeram do futebol o esporte mais popular do mundo.
“O sucesso comercial deve fortalecer o futebol, não destruí-lo. Tirem as mãos do nosso jogo.”
Ele acrescentou ainda que a iniciativa poderá ser analisada pelas autoridades europeias sob a perspectiva das normas de concorrência.
“O plano levanta importantes considerações” do ponto de vista das leis de concorrência na União Europeia e a Comissão Europeia “examinará essas propostas atentamente”.
Reino Unido e entidades do futebol também demonstram preocupação
As críticas ao projeto não partiram apenas da União Europeia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, também se posicionou contra a iniciativa, defendendo que o futebol pertence aos torcedores.
“O futebol não pertence a investidores”, mas sim “às pessoas que enchem as arquibancadas”.
Burnham reforçou que a Copa do Mundo não deve ser tratada como um ativo financeiro.
“A Copa do Mundo não é um produto. É a maior competição do esporte mundial, e nunca foi de alguém para vender.”
Investidores e resistência ao projeto
O grupo de investidores interessados na operação seria liderado por Joshua Kushner, fundador da gestora Thrive Capital e irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, mantém uma relação próxima com Trump, fato que também tem chamado atenção em torno da proposta.
Para facilitar a aprovação da nova estrutura, a Fifa pretende ampliar os recursos repassados às federações nacionais. Apesar disso, o projeto enfrenta resistência dentro do próprio futebol internacional.
A Uefa já demonstra oposição ao plano, enquanto a Concacaf declarou estar “profundamente preocupada” com a falta de transparência envolvendo a criação da nova empresa e a entrada de investidores privados.
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