Em plena preparação para a alta temporada de verão europeu, o aumento expressivo nos custos do combustível já começa a impactar diretamente os planos de viagem, tanto das companhias aéreas quanto dos passageiros.
O Grupo Lufthansa anunciou o cancelamento de 20.000 voos como parte de uma estratégia para reduzir gastos operacionais. A decisão afeta principalmente rotas de curta distância consideradas financeiramente inviáveis.
Corte atinge voos de curta distância
Em comunicado divulgado na última terça-feira (21), o grupo, que inclui Austrian Airlines, Brussels Airlines, ITA Airways e SWISS, afirmou que os cortes incidirão sobre “voos de curta distância não rentáveis” até outubro.
A expectativa é que a medida resulte em uma economia superior a 40.000 toneladas métricas de combustível de aviação.
Parte dessa redução está ligada ao encerramento da subsidiária regional CityLine, anunciado anteriormente. Segundo a empresa, os cancelamentos associados à unidade representam cerca de 1% da capacidade total de verão.
Redução de rotas e reorganização da malha aérea
Os primeiros impactos já começaram a ser sentidos. Foram anunciados 120 cancelamentos diários, válidos até o fim de maio.
Como consequência, três destinos deixarão de ser atendidos:
- Bydgoszcz (Polônia)
- Rzeszów (Polônia)
- Stavanger (Noruega)
Além disso, diversas rotas estão sendo reorganizadas para operar via os principais hubs do grupo, incluindo Frankfurt, Munique, Zurique, Viena, Bruxelas e Roma.
Estratégia para manter operações globais
De acordo com a consultoria Teneo, companhias como a Lufthansa estão “menos expostas” a interrupções do que empresas do Oriente Médio, devido ao modelo multi-hub.
O grupo reforçou essa visão ao afirmar:
“Por conseguinte, os passageiros continuarão a ter acesso à rede global de rotas, nomeadamente às ligações de longo curso. No entanto, devido ao aumento do preço do combustível de aviação, isto será conseguido de forma significativamente mais eficiente do que antes.”
Combustível dispara e pressiona o setor
Dados da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) mostram que o preço médio semanal do combustível de aviação na Europa atingiu 188 dólares por barril, um aumento de 106,5% em relação ao ano anterior.
Esse cenário ocorre em meio à crise geopolítica envolvendo o Irã, que tem afetado o fornecimento global de combustível, pressionando toda a indústria aérea.
União Europeia reage e reforça direitos dos passageiros
Diante desse contexto, a União Europeia busca esclarecer as obrigações das companhias aéreas e os direitos dos passageiros.
O comissário europeu para Transportes Sustentáveis e Turismo, Apostolos Tzitzikostas, afirmou:
“A Europa está pronta para receber todos os turistas e convidados durante o período de verão”
Ele também destacou que os altos preços do combustível não justificam a suspensão de indenizações por atrasos ou cancelamentos.
Outras companhias seguem o mesmo caminho
A Lufthansa não é a única a reduzir operações. Outras empresas europeias também anunciaram cortes:
- A Norse Atlantic cancelou a rota Londres–Los Angeles
- A KLM eliminará 160 voos em maio
- A SAS suprimiu pelo menos 1.000 voos em abril
- A Aer Lingus retirou 500 voos de sua programação de verão
Sobre a decisão da Norse Atlantic, um porta-voz declarou:
“Este cancelamento deve-se à imprevista crise mundial do combustível e, infelizmente – com o coração pesado – tivemos de cancelar as nossas queridas rotas de LAX, com uma exposição demasiado elevada ao risco de combustível.”
Passagens mais caras e novos custos para passageiros
Além dos cancelamentos, os passageiros enfrentam aumento nos preços das passagens. Segundo a Teneo, tarifas econômicas subiram, em média, 24%, o maior aumento dos últimos cinco anos.
Outros custos também estão em alta, especialmente taxas de bagagem.
Nos Estados Unidos, companhias como United Airlines, JetBlue e Delta elevaram seus preços. No caso da Delta:
- Primeira mala: até 50 dólares
- Segunda mala: até 60 dólares
A empresa afirmou que esse é o primeiro reajuste em dois anos.
Tendência de alta deve continuar
Para Katy Nastro, especialista em viagens e porta-voz da Going, os passageiros não devem esperar alívio no curto prazo:
“Estão aqui para ficar durante o próximo ano, pelo menos. Normalmente, vão no sentido ascendente.”
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