Mudanças climáticas podem reduzir até 6% do PIB da Itália até 2050, aponta estudo

Um estudo da Deloitte estima que as mudanças climáticas podem gerar perdas equivalentes a até 6% do PIB da Itália até 2050. O país, localizado em uma das regiões mais vulneráveis ao aquecimento global, enfrenta riscos crescentes para setores estratégicos como turismo, infraestrutura, agricultura e pequenas empresas. Especialistas alertam que a adaptação climática será decisiva para preservar a competitividade e a estabilidade econômica nas próximas décadas.

As mudanças climáticas estão deixando de ser vistas apenas como uma questão ambiental para se consolidarem como um dos principais desafios econômicos da Itália. Um estudo recente da Deloitte alerta que os impactos provocados pelo aumento das temperaturas e pela intensificação de eventos climáticos extremos podem custar ao país o equivalente a até 6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2050.

O levantamento mostra que a economia italiana poderá enfrentar perdas bilionárias caso medidas de adaptação não sejam ampliadas nos próximos anos. Entre os setores mais vulneráveis estão a infraestrutura, o turismo, a agricultura e as pequenas e médias empresas, que formam a base do tecido produtivo nacional.

Segundo a análise, somente os danos diretos à infraestrutura podem gerar custos próximos de 5 bilhões de euros por ano. Estradas, pontes, sistemas ferroviários, redes elétricas e instalações urbanas estão cada vez mais expostos a enchentes, tempestades severas, ondas de calor e outros fenômenos meteorológicos extremos.

A preocupação ganha ainda mais relevância devido à localização geográfica da Itália. Situada na região do Mediterrâneo, considerada um dos pontos mais vulneráveis ao aquecimento global, o país enfrenta projeções que indicam um aumento superior a 2°C na temperatura média nas próximas décadas em relação aos níveis pré-industriais.

Especialistas alertam que esse cenário pode provocar uma frequência maior de secas prolongadas, incêndios florestais, enchentes repentinas e ondas de calor mais intensas, ampliando os riscos para a população e para a economia.

Turismo e empresas estão entre os setores mais ameaçados

Entre as atividades econômicas mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas está o turismo, um dos pilares da economia italiana.

Destinos conhecidos mundialmente por seu patrimônio histórico, paisagens naturais e clima agradável podem enfrentar desafios crescentes devido às altas temperaturas, à escassez de água e à maior ocorrência de eventos climáticos extremos. Essas condições podem influenciar diretamente o comportamento dos turistas e alterar os períodos tradicionais de viagem.

De acordo com as projeções apresentadas no estudo, em cenários climáticos mais severos, a demanda turística pode sofrer uma redução próxima de 9%. Caso isso ocorra, as perdas econômicas associadas ao setor podem alcançar cerca de 52 bilhões de euros.

Além do turismo, as pequenas e médias empresas italianas também aparecem como um dos pontos de maior preocupação. Embora representem a espinha dorsal da economia nacional, muitas delas ainda não desenvolveram estratégias robustas para enfrentar riscos climáticos.

O levantamento aponta que apenas uma parcela limitada das companhias adotou planos concretos de adaptação, incluindo investimentos em infraestrutura resiliente, proteção de instalações, monitoramento climático e protocolos de continuidade operacional.

Outro aspecto destacado pelos pesquisadores é a predominância de uma visão de curto prazo no planejamento empresarial. Muitas organizações concentram seus esforços em mecanismos de proteção imediata, como a contratação de seguros, enquanto investimentos estruturais voltados à adaptação climática avançam de forma mais lenta.

Desafio econômico e estratégico para o futuro

O debate sobre os impactos das mudanças climáticas ocorre em um momento em que governos e empresas de toda a Europa buscam conciliar crescimento econômico, competitividade e sustentabilidade ambiental.

No caso italiano, a questão assume uma dimensão ainda mais ampla. Além de proteger ativos econômicos, o país precisará preservar elementos que fazem parte de sua identidade cultural e produtiva, incluindo cidades históricas, regiões agrícolas tradicionais, destinos turísticos e importantes polos industriais.

A adaptação às novas condições climáticas exigirá investimentos significativos em infraestrutura, inovação tecnológica, gestão de recursos hídricos e planejamento urbano. Especialistas afirmam que a capacidade de resposta adotada nos próximos anos poderá determinar o grau de impacto econômico enfrentado pelo país até meados do século.

O estudo da Deloitte reforça uma avaliação cada vez mais compartilhada por economistas e especialistas em sustentabilidade: a adaptação climática não deve ser encarada apenas como uma política ambiental, mas como uma estratégia fundamental para garantir estabilidade econômica, atração de investimentos e crescimento sustentável no longo prazo.

À medida que os efeitos do aquecimento global se tornam mais evidentes, a discussão deixa de ser sobre se os impactos ocorrerão e passa a ser sobre o tamanho dos custos que poderão ser evitados por meio de ações preventivas e investimentos em resiliência.

 

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