Louvre reabre Galeria Apollo nove meses após roubo milionário, mas sem as históricas joias da Coroa Francesa

O Museu do Louvre voltou a abrir a Galeria Apollo nove meses após um dos maiores roubos de obras de arte da história recente. As joias da Coroa Francesa, avaliadas em cerca de US$ 100 milhões, continuam desaparecidas, enquanto o caso expôs falhas de segurança e provocou mudanças na direção do museu.

Após nove meses fechada por causa de um dos maiores roubos de obras de arte dos últimos anos, a tradicional Galeria Apollo, no Museu do Louvre, em Paris, voltou a receber visitantes nesta quarta-feira (22). A reabertura, no entanto, acontece com uma ausência marcante: as históricas joias da Coroa Francesa, levadas durante o assalto e que continuam desaparecidas.

O crime, ocorrido em outubro de 2025, chocou a França e repercutiu internacionalmente pela ousadia dos criminosos e pelas falhas de segurança identificadas no museu mais visitado do mundo.

Joias avaliadas em cerca de US$ 100 milhões seguem desaparecidas

Durante a ação, os assaltantes roubaram oito peças da coleção das joias da Coroa Francesa, avaliadas em aproximadamente US$ 100 milhões.

Apesar da prisão de quatro suspeitos poucas semanas após o crime, nenhuma das joias foi recuperada até o momento.

As investigações continuam e contam com a participação das autoridades francesas e com a colaboração de forças policiais de outros países europeus, entre eles Bélgica e Itália, na tentativa de localizar tanto as peças quanto possíveis integrantes da organização criminosa.

Galeria reabre sem sua principal atração

Mesmo aberta novamente ao público, a Galeria Apollo já não exibe a coleção histórica que a tornou um dos espaços mais visitados do Louvre.

As joias que permaneceram sob custódia do museu foram retiradas por medida de segurança e deverão ser expostas futuramente em um ambiente especialmente projetado para oferecer proteção reforçada, com controle rigoroso de acesso, sem janelas e equipado com novos sistemas de segurança.

A mudança faz parte das medidas adotadas após o roubo para reduzir os riscos de novos ataques ao patrimônio histórico francês.

Como aconteceu o roubo

As investigações apontam que o grupo executou um plano cuidadosamente preparado.

Segundo as autoridades, os criminosos utilizaram uma plataforma elevatória acoplada a um caminhão para alcançar uma varanda localizada na parte externa da Galeria Apollo. A partir dali, cortaram janelas e vitrines utilizando equipamentos de alta potência antes de retirar rapidamente as joias e fugir.

A ação ocorreu durante o dia e surpreendeu tanto funcionários quanto visitantes do museu.

Auditoria já havia alertado para falhas de segurança

O caso também trouxe à tona problemas estruturais que já eram conhecidos pela administração do Louvre.

Uma auditoria realizada em 2019 havia identificado vulnerabilidades relacionadas justamente à varanda utilizada pelos criminosos e alertado para o risco representado pela localização da galeria voltada para a rua.

Segundo as investigações, as recomendações feitas no relatório nunca chegaram a ser implementadas, o que reacendeu o debate sobre os investimentos em segurança nos principais museus do mundo.

Além disso, o sistema de monitoramento por câmeras também foi alvo de críticas por estar defasado diante das necessidades atuais de proteção do acervo.

Roubo provocou mudanças na direção do museu

A repercussão do crime ultrapassou a esfera policial.

O episódio gerou forte desgaste para a administração do Louvre, motivou protestos entre funcionários e culminou na saída da então presidente do museu, Laurence des Cars.

Em fevereiro deste ano, ela foi substituída pelo historiador da arte Christophe Leribault, ex-diretor do Palácio de Versalhes.

Entre as prioridades da nova gestão estão o reforço da segurança, a modernização dos sistemas de vigilância e a recuperação da confiança do público em uma das instituições culturais mais importantes do mundo.

Suspeitos presos, mas investigações continuam

Os quatro homens presos são da região de Paris e possuem antecedentes por crimes como roubo.

Durante os interrogatórios, alguns admitiram participação na ação, mas alegaram ter seguido ordens de um suposto mentor responsável pelo planejamento do assalto.

As autoridades francesas, porém, ainda investigam se esse líder realmente existe ou se a versão foi apresentada para dificultar o avanço das investigações.

A principal linha de apuração considera que o próprio grupo tenha organizado o crime com o objetivo de obter lucro por meio da venda das joias no mercado clandestino.

Museu mais visitado do mundo enfrenta desafios

O caso reacendeu discussões sobre a segurança dos grandes museus internacionais e os impactos da superlotação.

O Louvre recebeu cerca de nove milhões de visitantes no último ano, número superior à capacidade originalmente prevista para suas instalações.

Especialistas avaliam que o elevado fluxo de turistas aumenta a complexidade da gestão do patrimônio histórico e exige investimentos constantes em infraestrutura, monitoramento e preservação.

Enquanto isso, a Galeria Apollo volta a integrar o circuito de visitação do museu, mas agora marcada por um dos episódios mais emblemáticos de sua história recente e pela ausência de um dos mais importantes tesouros da monarquia francesa.

 

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