A coalizão de direita liderada pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni saiu fortalecida das eleições municipais realizadas entre domingo e segunda-feira (25) em diversas cidades da Itália. O bloco conservador conquistou vitórias importantes, entre elas Veneza e Reggio Calabria, enquanto a centro-esquerda conseguiu preservar sua influência em regiões estratégicas, como a Toscana.
Ao todo, cerca de 750 municípios participaram do pleito, incluindo 18 capitais de província. Mais de 6,6 milhões de eleitores foram convocados às urnas em uma votação considerada um teste político relevante antes das eleições gerais italianas previstas para o próximo ano.
Em Veneza, Simone Venturini, apoiado pelo partido Fratelli d’Italia, venceu ainda no primeiro turno ao alcançar aproximadamente 51% dos votos. Já em Reggio Calabria, no sul do país, Francesco Cannizzaro, do Forza Italia, garantiu uma vitória expressiva ao conquistar cerca de dois terços dos votos válidos, retomando para a direita uma cidade administrada pela centro-esquerda há mais de uma década.
Toscana continua sob domínio da centro-esquerda
Apesar do avanço da direita em cidades importantes, o campo progressista conseguiu manter espaços considerados estratégicos. Na região da Toscana, tradicional reduto da esquerda italiana, candidatos ligados à centro-esquerda venceram já no primeiro turno em cidades como Prato e Pistoia.
O bloco também saiu vitorioso em Avellino e Mântua. Em Salerno, o ex-governador da Campânia, Vincenzo De Luca, foi eleito prefeito pela quinta vez consecutiva com mais de 58% dos votos. A candidatura contou com o apoio de sete listas cívicas, sem utilizar oficialmente o símbolo do Partido Democrático.
A líder do Partido Democrático, Elly Schlein, afirmou que o resultado demonstra que a esquerda italiana permanece competitiva quando atua de forma unificada.
Participação cai e cenário político ganha novos sinais
A participação popular ficou em 60,06%, registrando queda de quase cinco pontos percentuais em comparação com as eleições municipais de 2020. O aumento da abstenção chamou atenção de analistas políticos italianos, especialmente em um momento de reorganização das forças partidárias no país.
Nas redes sociais, Giorgia Meloni comemorou o desempenho da coalizão conservadora e ironizou previsões de enfraquecimento do governo. Segundo ela, o “anunciado colapso do centro-direita” foi novamente adiado.
A vitória em Reggio Calabria possui forte peso simbólico para o governo. A cidade, localizada na região da Calábria, historicamente foi associada ao voto de esquerda e também à influência da organização criminosa ‘Ndrangheta. A retomada do município reforça a estratégia de expansão territorial da direita italiana e fortalece o discurso de consolidação nacional da base de apoio de Meloni antes do próximo ciclo eleitoral.
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