O Reino Unido anunciou um investimento recorde de quase 300 mil milhões de libras (348 mil milhões de euros) em Defesa ao longo dos próximos quatro anos, numa das maiores iniciativas de modernização das Forças Armadas britânicas desde o fim da Guerra Fria.
O plano foi apresentado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que afirmou que o reforço da capacidade militar responde ao novo cenário internacional de segurança e ao aumento das tensões geopolíticas, especialmente após a invasão russa da Ucrânia.
Maior reforço desde a Guerra Fria
Segundo Starmer, o orçamento da Defesa receberá um acréscimo de 15 mil milhões de libras (17 mil milhões de euros) durante os próximos quatro anos.
“O mundo mudou. A segurança nacional é também segurança económica”, afirmou o primeiro-ministro durante o lançamento do Plano de Investimento em Defesa para a próxima década.
Drones e tecnologia militar
Entre as prioridades do plano está o investimento em sistemas não tripulados e tecnologias militares de última geração.
Mais de 5 mil milhões de libras (5,8 mil milhões de euros) serão destinados ao desenvolvimento de drones e sistemas autónomos para os diferentes ramos das Forças Armadas.
Inspirado pelas lições da guerra na Ucrânia, o Reino Unido pretende ampliar significativamente o uso dessas tecnologias no campo militar.
A Royal Navy também passará por mudanças. Em vez da construção de novos contratorpedeiros convencionais, a estratégia prevê navios híbridos preparados para operar como centros de comando de drones.
Meta da NATO
O plano integra o compromisso britânico de elevar os gastos com Defesa até atingir 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, conforme os objetivos estabelecidos pela NATO.
Nos últimos anos, aliados europeus têm aumentado os investimentos militares diante das crescentes ameaças à segurança do continente.
Contexto político
O anúncio ocorre após meses de debates internos sobre o financiamento da Defesa e também em meio à crise política enfrentada pelo governo britânico.
Keir Starmer anunciou recentemente que deixará o cargo nas próximas semanas, após perder apoio dentro do Partido Trabalhista.
Antes da saída, o primeiro-ministro deverá participar da cimeira da NATO, marcada para os dias 7 e 8 de julho, na Turquia.
Críticas da oposição
O plano recebeu críticas do Partido Conservador.
O porta-voz para a Defesa, James Cartlidge, afirmou que as medidas chegaram “demasiado pouco e demasiado tarde” e acusou o governo de acelerar o anúncio para deixar um legado político antes da mudança de liderança.