Os Técnicos de Migração da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) entrarão em greve entre os dias 1º e 5 de junho, em Portugal. A paralisação foi convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Migração e poderá provocar impactos significativos no atendimento ao público e na tramitação de processos ligados à imigração e regularização de estrangeiros.
Na prática, a greve deverá afetar praticamente toda a semana. Na quinta-feira, dia 4 de junho, os serviços já estarão fechados devido ao feriado nacional português.
Segundo o sindicato, a mobilização ocorre em meio ao agravamento das condições de trabalho e à crescente pressão sobre os profissionais da imigração.
Sindicato aponta “caos” no sistema migratório
A presidente do Sindicato dos Técnicos de Migração, Manuela Niza, afirmou que a greve busca chamar atenção para os problemas enfrentados pelos trabalhadores e pelos próprios imigrantes atendidos pela AIMA.
“Dado o facto de a mesma se estender de segunda a sexta-feira, é de esperar graves constrangimentos no serviço. Mas é a única forma de chamar a atenção para o caos que se vive na imigração”, declarou.
O sindicato afirma que a decisão pela paralisação foi tomada após sucessivas reclamações relacionadas à falta de estrutura e ao aumento da demanda nos serviços de imigração em Portugal.
Falta de pessoal e pressão nos atendimentos
No pré-aviso de greve enviado à AIMA, os trabalhadores citam a deterioração das condições de trabalho e a ausência de reforço adequado de equipes técnicas e operacionais.
Entre os principais problemas apontados estão:
- Aumento da pressão sobre os funcionários;
- Demora na análise de processos de regularização;
- Falta de recursos humanos e tecnológicos;
- Sobrecarga no atendimento ao público;
- E dificuldades no funcionamento interno da agência.
Segundo os técnicos, o cenário tem impacto direto tanto nos trabalhadores quanto nos cidadãos estrangeiros que dependem da AIMA para obtenção ou renovação de documentos.
Regularizações podem sofrer novos atrasos
A greve acontece em um momento delicado para a imigração em Portugal, marcado por filas, lentidão nos processos e críticas frequentes ao funcionamento da AIMA.
A agência é responsável por diversos serviços ligados à imigração, incluindo:
- Autorizações de residência;
- Renovações documentais;
- Processos de regularização;
- Reagrupamento familiar;
- E atendimento de imigrantes em situação pendente.
Com a paralisação, a expectativa é de novos atrasos em agendamentos e análises de processos ao longo da próxima semana.
Trabalhadores cobram valorização profissional
Além das questões operacionais, os Técnicos de Migração também reclamam da falta de reconhecimento profissional dentro da estrutura da AIMA.
O sindicato afirma que existe uma crescente desvalorização da carreira e preocupação com a imagem institucional da agência.
No documento enviado à administração, os trabalhadores defendem medidas que garantam “dignidade, estabilidade e valorização” das funções exercidas pelos técnicos.
Também pedem o reconhecimento da especificidade do trabalho desempenhado pelos profissionais ligados à imigração.
Impacto pode atingir milhares de imigrantes
Portugal vive nos últimos anos um aumento expressivo no número de estrangeiros residentes no país, o que elevou significativamente a demanda pelos serviços da AIMA.
A expectativa é que a greve provoque dificuldades sobretudo para imigrantes que aguardam atendimento presencial, análise documental ou respostas relacionadas a processos pendentes.
Até o momento, a AIMA não divulgou detalhes sobre possíveis serviços mínimos durante os dias de paralisação.
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