Itália investiga fraude em cidadania que beneficiou brasileiros

As autoridades italianas investigam um suposto esquema de fraude na concessão de cidadania italiana que teria beneficiado mais de 80 brasileiros entre 2018 e 2024. Segundo o Ministério Público, a fraude envolvia a indicação falsa de residência na cidade de Moggio Udinese, no norte da Itália, com participação de servidores públicos e intermediários.

As autoridades italianas investigam um suposto esquema de fraude na concessão de cidadania italiana que teria beneficiado mais de 80 brasileiros entre 2018 e 2024, por meio da indicação falsa de residência na pequena cidade de Moggio Udinese, no norte da Itália. O caso está sob responsabilidade do Ministério Público Italiano.

Segundo os investigadores, os brasileiros teriam obtido o reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue (ius sanguinis) sem cumprir um dos requisitos legais fundamentais: a residência efetiva no município italiano durante o processo.

Como funcionaria o esquema

De acordo com a apuração, dois imóveis localizados nas proximidades da prefeitura de Moggio Udinese teriam sido utilizados como endereços fictícios para registrar brasileiros como moradores da cidade. Na prática, essas pessoas nunca chegaram a residir no local ou permaneceram por períodos muito curtos, insuficientes para atender às exigências legais.

A investigação aponta que, em alguns casos, os registros de residência teriam sido feitos antes mesmo da chegada dos brasileiros à Itália, o que reforça a suspeita de fraude documental.

Quem são os investigados

Ao todo, seis pessoas foram indiciadas:

  • Quatro funcionários da prefeitura de Moggio Udinese

  • Um cidadão brasileiro, identificado como Sergio Luiz Garana

  • Uma mulher de origem albanesa

Segundo o Ministério Público, o brasileiro é apontado como intermediador do esquema e proprietário de um dos imóveis usados como residência falsa. Ele teria atuado como elo entre os interessados na cidadania e os servidores públicos investigados.

Até o momento, os brasileiros que obtiveram a cidadania não são alvos diretos da investigação, mas o reconhecimento concedido pode ser revisto caso a fraude seja confirmada.

Pagamentos, documentos falsos e contratos irregulares

As autoridades afirmam que os “clientes” teriam pago cerca de 6.500 euros para obter a cidadania italiana. O valor incluiria a simulação da residência, assessoria no processo e a entrega da documentação necessária.

Entre as irregularidades identificadas estão:

  • Formulários com assinaturas falsas

  • Contratos de aluguel irregulares ou inexistentes

  • Registros administrativos feitos de forma antecipada

Esses documentos teriam sido usados para dar aparência de legalidade ao processo.

Falhas na fiscalização facilitaram a fraude

A investigação também aponta falhas graves na fiscalização interna da prefeitura. As vistorias obrigatórias para comprovar a residência dos estrangeiros teriam sido forjadas ou simplesmente não realizadas na maioria dos casos.

Segundo o promotor responsável, municípios pequenos, como Moggio Udinese, costumam ter estrutura administrativa limitada, o que pode facilitar fraudes quando há conivência de agentes públicos.

O Ministério Público segue analisando documentos e depoimentos para definir responsabilidades penais e administrativas. Caso o esquema seja confirmado, as cidadanias concedidas poderão ser anuladas, além da responsabilização criminal dos envolvidos.

O caso reacende o debate na Itália sobre controle, fiscalização e vulnerabilidades nos processos de cidadania por descendência, especialmente em pequenas cidades que recebem grande volume de pedidos de estrangeiros.

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