Após mais de 25 anos de negociações, representantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e da União Europeia – UE assinaram neste sábado (17) um acordo de livre comércio que promete transformar a relação comercial entre os dois blocos e aproximar economicamente os dois lados do Atlântico.
O tratado foi formalizado em uma cerimônia em Assunção, capital do Paraguai, onde também estão guardadas as origens históricas do Mercosul, e reúne um mercado estimado em cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de mais de US$ 22 trilhões.
As lideranças que participaram do evento descreveram o momento como um marco histórico na integração econômica global.
O que é o acordo Mercosul-UE?
O tratado de livre comércio assinado no Paraguai elimina ou reduz gradualmente tarifas sobre a maior parte dos bens comercializados entre os blocos e estabelece um conjunto de regras para facilitar o comércio e o investimento entre Mercosul e UE.
Segundo os governos envolvidos, o acordo deve:
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Eliminar tarifas para 92% das exportações do Mercosul para a UE, o que abrange cerca de US$ 61 bilhões em produtos.
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Conceder acesso preferencial a outros 7,5% dos produtos negociados.
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Aumentar o acesso do Brasil ao comércio mundial de 8% para 36%, especialmente pelas exportações para o bloco europeu.
O acordo é considerado um dos maiores da história do Mercosul em termos de acesso a mercados e reúne um dos maiores mercados consumidores do planeta.
O que pode ficar mais barato no Brasil?
Uma das partes que mais chama atenção dos consumidores é o potencial barateamento de produtos importados devido à redução de tarifas de importação, mas isso não acontecerá da noite para o dia.
Produtos que podem ficar mais acessíveis ao longo do tempo
Alimentos importados e bebidas
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Vinhos
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Azeites
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Queijos e outros produtos lácteos
Esses itens, hoje caros no Brasil em parte por causa de tarifas elevadas, podem ter preços menores à medida que o acordo for implementado.
Chocolates e produtos premium
Marcas que eram pouco comuns ou caras no Brasil podem chegar ao país com mais facilidade e preços mais competitivos.
Veículos, medicamentos e tecnologia
Reduções tarifárias podem tornar importados como automóveis europeus, medicamentos e equipamentos tecnológicos mais acessíveis ao consumidor brasileiro, embora o impacto dependa da velocidade de implementação e de outros fatores econômicos.
Especialistas também destacam que esse tipo de redução não depende apenas das tarifas: taxa de câmbio, custos de transporte e políticas internas também influenciam o preço final dos produtos.
E as exportações brasileiras?
O acordo não favorece apenas as importações. A expectativa é que o agronegócio brasileiro, setores como carnes, grãos e calçados, também ganhe acesso facilitado ao mercado europeu com tarifas menores e cotas ampliadas.
Dados da Confederação Nacional da Indústria – CNI mostram que o tratado pode ser uma virada estratégica para a indústria brasileira ao ampliar sua presença no comércio mundial e atrair investimentos.
O que disseram os líderes?
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e que ele pode gerar empregos e prosperidade em ambos os blocos.
Representantes do Mercosul destacaram a importância de expandir mercados e fortalecer relações econômicas, e classificaram o tratado como um passo histórico para aumentar o intercâmbio entre países da América do Sul e da Europa.
O que ainda falta para o acordo valer?
Apesar da assinatura, o tratado ainda não está em vigor. Ele precisa ser ratificado pelos parlamentos europeus e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul, e esse processo pode levar anos e enfrentar debates e ajustes.
Organizações de agricultores no mercado europeu e setores industriais em vários países têm argumentado contra o acordo ou pedido condições específicas de proteção, principalmente por causa de preocupações com competição e padrões de produção.
A assinatura do acordo Mercosul-UE marca um momento histórico para o comércio internacional e a economia brasileira, e pode trazer benefícios concretos ao consumidor e às empresas do país. No entanto, seus efeitos serão graduais, dependerão de ratificações legislativas e de fatores econômicos globais.
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