No último dia 17 , a União Europeia e o Mercosul deram um passo histórico ao formalizar o acordo de livre comércio negociado há mais de duas décadas. O entendimento envolve os países do bloco sul-americano (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e marca uma nova fase nas relações econômicas entre a Europa e a América do Sul, com impactos diretos sobre comércio, investimentos e cooperação bilateral.
Após anos de avanços lentos, impasses políticos e debates ambientais, a assinatura do acordo simboliza o esforço conjunto para ampliar o acesso aos mercados, reduzir tarifas e fortalecer laços estratégicos entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo. Apesar do marco diplomático, o tratado ainda depende de etapas de ratificação interna para entrar plenamente em vigor.
O que é o acordo UE-Mercosul?
A criação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul dá origem a uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores e formando um mercado conjunto de grande relevância econômica.
O objetivo principal é reduzir tarifas de importação e exportação, facilitar o comércio de bens e serviços, ampliar investimentos e fortalecer parcerias econômicas entre os blocos.
Impactos para o Brasil
Ganho de mercado
Segundo análises do setor industrial brasileiro, com o acordo o país poderá acessar até 36% do comércio global , um salto importante frente aos atuais 8%, graças à participação da UE no comércio mundial.
Redução de despejo
O acordo prevê a eliminação ou redução de tarifas sobre cerca de 95% dos produtos negociados entre Brasil e UE. Isso significa que muitas exportações brasileiras terão menos taxas e mais competitividade no mercado europeu ao longo do tempo.
Transição gradual
Para produtos considerados mais seguros, especialmente agrícolas, os prazos para a redução de variações tarifárias e vão depender de negociações específicas, chegando a até 15 anos para alguns setores.
Desafios e debates
Apesar das oportunidades, parte do texto ainda gera debate interno. Os setores agrícolas e pecuários estão atentos às taxas de importação e regras sanitárias. Além disso, o acordo ainda precisa ser aprovado no Parlamento Europeu e nas legislativas nacionais, o que pode gerar alterações e exigências adicionais.
O que muda para a Itália
Acesso ao mercado brasileiro
Para a Itália, um dos principais parceiros comerciais do Brasil na UE, o acordo promete facilitar a entrada de produtos italianos no mercado brasileiro, especialmente em setores como bens industriais, tecnologia, máquinas e produtos farmacêuticos .
Indicações Geográficas
O acordo também fortalece a proteção de produtos europeus com denominações de origem, como queijos e vinagres tradicionais italianos, garantindo que sejam reconhecidos e protegidos contra imitações no Mercosul.
Agronegócio e atendimentos locais
Ainda assim, algumas áreas italianas, principalmente no agronegócio, vinham levantando preocupações sobre a competição com carnes e produtos agropecuários do Mercosul, o que gerou debates intensos antes da aprovação do pacto no bloco europeu.
Perspectivas futuras
A assinatura do tratado é um marco histórico, mas sua implementação depende do processo de ratificação, que pode levar meses ou até anos, dependendo do ritmo dos parlamentos dos países envolvidos.
Governos e empresas de ambos os lados veem o acordo como uma oportunidade para expandir o comércio, reduzir custos e fomentar investimentos. Por outro lado, os movimentos sociais, os setores agrícolas e os grupos ambientalistas continuam acompanhando de perto as negociações, especialmente em relação aos padrões ambientais e regras de produção.