Por séculos, a Itália foi vista como o coração do catolicismo mundial. Mas, além das cúpulas do Vaticano e das basílicas históricas, o país vive hoje uma realidade religiosa cada vez mais diversa.
A poucos metros das muralhas do pequeno Estado da Cidade do Vaticano, onde vive o Papa e está a sede da Igreja Católica, a Itália contemporânea revela um panorama religioso mais plural do que muitos imaginam.
Embora o catolicismo ainda seja a principal religião do país, comunidades muçulmanas, ortodoxas, protestantes e judaicas cresceram nas últimas décadas, impulsionadas principalmente pela imigração e pelas mudanças sociais na Europa.
Um país historicamente católico
A ligação entre a Itália e o catolicismo é profunda e histórica. Em Roma está localizada a sede da Igreja Católica e uma de suas igrejas mais importantes, a Basílica de São Pedro. Durante séculos, o país foi um dos principais centros da fé cristã no mundo.
Mesmo hoje, a maioria da população italiana ainda se declara católica. No entanto, especialistas apontam que a prática religiosa vem diminuindo gradualmente, especialmente entre os jovens. Muitas pessoas mantêm a identidade católica mais como tradição cultural do que como prática regular.
O crescimento do islamismo
Entre as religiões que mais cresceram na Itália nas últimas décadas está o islamismo. A presença muçulmana aumentou principalmente a partir dos anos 1990, com a chegada de imigrantes do Norte da África, do Oriente Médio e de partes da Ásia.
Em Roma, um dos símbolos dessa presença é a Grande Mesquita de Roma, considerada uma das maiores da Europa. O templo recebe fiéis de diversas nacionalidades e representa o crescimento da comunidade muçulmana no país.
Estima-se que atualmente existam milhões de muçulmanos vivendo na Itália, muitos deles já nascidos em território italiano.
Cristãos de outras tradições
Outra presença significativa é a dos cristãos ortodoxos. Muitos vieram do Leste Europeu após o fim da União Soviética e com a ampliação da União Europeia. Comunidades vindas de países como Romênia e Ucrânia formaram igrejas próprias em várias cidades italianas.
Além disso, existem grupos protestantes históricos no país. Um exemplo são os Valdenses, movimento cristão surgido na Idade Média e que antecede a própria Reforma Protestante associada a Martinho Lutero. Apesar de minoritários, eles mantêm igrejas, escolas e atividades sociais.
Uma presença judaica milenar
A Itália também abriga uma das comunidades judaicas mais antigas da Europa. Registros históricos indicam que judeus já viviam em Roma há mais de dois mil anos, ainda durante o Império Romano.
Um marco dessa história é o Gueto de Roma, criado no século XVI. O bairro, que já foi símbolo de segregação, hoje se tornou um centro cultural e histórico da comunidade judaica na cidade.
Um mosaico religioso moderno
Para pesquisadores da área de religião e sociedade, a diversidade atual reflete as transformações sociais pelas quais a Itália passou nas últimas décadas. O país, que durante muito tempo foi marcado pela emigração, tornou-se também destino de imigrantes de várias partes do mundo.
Esse movimento contribuiu para transformar o cenário religioso italiano em um verdadeiro mosaico cultural e espiritual.
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