O setor aéreo italiano começa a operar sob um cenário de atenção logística. De acordo com informações publicadas pelo jornal Corriere della Sera nesta quarta-feira (29), o fluxo atual de importação de querosene de aviação é suficiente para manter o funcionamento normal dos aeroportos apenas até o fim de maio.
Isso não significa uma interrupção imediata dos voos a partir de junho, mas indica que o sistema de abastecimento precisará passar por ajustes para evitar impactos maiores.
O problema não é falta, mas logística
A principal dificuldade não está na escassez de combustível, mas na forma como ele chega à Europa. A instabilidade no Estreito de Ormuz tem afetado diretamente o transporte de energia, já que cerca de 30% do combustível utilizado no continente depende dessa rota.
Com o cenário atual, navios enfrentam atrasos e precisam utilizar caminhos alternativos, muitas vezes contornando o continente africano. Isso aumenta o tempo de entrega e eleva os custos operacionais.
Diante disso, aeroportos como Aeroporto de Veneza, Aeroporto de Bolonha e Aeroporto de Milão-Linate já começaram a adotar medidas preventivas. Entre elas, a recomendação para que companhias aéreas evitem abastecer completamente suas aeronaves nesses locais, preservando os estoques disponíveis.
Adaptação deve marcar os próximos meses
Para o período após maio, o cenário projetado é de adaptação, e não de paralisação. Caso a crise persista, o setor deverá recorrer a estratégias operacionais para manter a malha aérea funcionando.
Uma dessas alternativas é o chamado tankering, prática em que aeronaves decolam de outros países com maior quantidade de combustível para reduzir a necessidade de abastecimento em aeroportos italianos.
Além disso, companhias podem revisar rotas e incluir escalas técnicas em aeroportos com maior disponibilidade de combustível, especialmente em voos de longa distância.
Verão europeu sob pressão
Outro ponto de atenção é o pico do verão europeu, período de alta demanda por viagens. As autoridades italianas trabalham para evitar interrupções, priorizando rotas mais movimentadas e ajustando a malha aérea conforme necessário.
A partir de junho, o sistema entra em uma espécie de “zona de incerteza”, em que o desafio será equilibrar custos mais altos e logística mais complexa sem comprometer a conectividade do país.
Mesmo sem previsão de colapso, o cenário reforça a vulnerabilidade do setor aéreo às tensões geopolíticas e às cadeias globais de energia.
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