Meloni avalia antecipar eleições na Itália diante de desgaste político e tensões internas

A premiê Giorgia Meloni avalia eleições antecipadas diante de desgaste político, derrota em referendo, queda nas pesquisas e tensões internas no governo italiano.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, passou a considerar com mais seriedade a possibilidade de convocar eleições antecipadas, em meio ao aumento das pressões políticas e sinais de desgaste de seu governo. Embora a medida ainda não seja tratada como prioridade, a estratégia ganha força dentro do partido Irmãos da Itália (FdI), que teme uma erosão gradual da popularidade da atual gestão até o fim da legislatura.

No poder há cerca de três anos e cinco meses, Meloni enfrenta um cenário mais desafiador após a derrota do governo em um recente referendo sobre o sistema judiciário. O resultado acendeu alertas no núcleo político do Executivo, que avalia que a continuidade do atual quadro pode levar a uma queda mais acentuada nas pesquisas de intenção de voto, algumas projeções já indicam recuo de até dois pontos percentuais no curto prazo.

De acordo com reportagem do jornal La Repubblica, publicada neste domingo (29), a premiê discutiu o tema durante um jantar em sua residência oficial com os vice-primeiros-ministros Matteo Salvini e Antonio Tajani. Na ocasião, Meloni teria sondado os aliados sobre o apoio a uma eventual antecipação do pleito, buscando medir o grau de consenso dentro da coalizão governista.

Paralelamente, a líder italiana pressiona pela aprovação acelerada de uma nova lei eleitoral, considerada essencial para evitar paralisia legislativa em meio a disputas internas e garantir maior controle político em um eventual cenário eleitoral antecipado.

Tensões no governo e impasse fiscal

O ambiente dentro do Conselho de Ministros também tem sido marcado por tensões crescentes. Integrantes do governo fizeram cobranças diretas ao ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, pedindo a ampliação de recursos destinados ao setor empresarial como forma de estimular a economia.

Giorgetti, no entanto, tem resistido às pressões, defendendo a necessidade de manter o déficit público abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). O objetivo é evitar o agravamento da situação fiscal do país e permitir que a Itália saia do procedimento de infração imposto pela União Europeia por descumprimento das regras orçamentárias do bloco.

Cenário incerto

Diante desse cenário, a eventual convocação de eleições antecipadas surge como uma tentativa de reconfigurar o momento político antes que o desgaste se aprofunde. Ainda assim, a decisão envolve riscos, especialmente em um ambiente de instabilidade econômica e divisões internas na base aliada.

Por ora, o governo italiano segue oficialmente comprometido com a continuidade da legislatura, mas os movimentos recentes indicam que o cálculo político em Roma pode mudar rapidamente nas próximas semanas.

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