A iniciativa desembarcou em Curitiba em um momento considerado estratégico para o comércio internacional, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo UE-Mercosul, medida que promete reduzir barreiras comerciais e ampliar a integração econômica entre os dois blocos.
A missão italiana realizou encontros institucionais e reuniões empresariais na capital paranaense, incluindo uma apresentação oficial na sede da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria do Paraná, conhecida como Italocam.
Participaram das agendas representantes da Eskaton International, empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto, além de empresários e dirigentes ligados às relações econômicas entre Itália e Brasil.

Projeto quer aproximar pequenas empresas italianas do Brasil
A Expo Village Italy foi criada com o objetivo de funcionar como uma ponte entre pequenas empresas italianas e compradores brasileiros, especialmente nos setores associados ao tradicional selo “Made in Italy”.
Entre as áreas prioritárias estão alimentos, moda, design, tecnologia, equipamentos industriais e produtos especializados — segmentos nos quais a Itália possui forte tradição internacional.
O diferencial do projeto está justamente no foco voltado às micro e pequenas empresas italianas. Muitas dessas companhias possuem alto nível de especialização, tradição familiar e excelência produtiva, mas encontram dificuldades para enfrentar sozinhas os desafios burocráticos, logísticos e comerciais da internacionalização.
Na prática, a iniciativa oferece suporte completo para empresas interessadas em entrar no mercado brasileiro, incluindo consultoria comercial, orientação jurídica, apoio burocrático e intermediação de contatos empresariais locais.
Segundo os organizadores, a proposta vai além da realização de encontros de negócios pontuais. O objetivo é acompanhar todas as etapas do processo de internacionalização até a efetiva concretização de contratos e parcerias comerciais.
Modelo aposta na força histórica das pequenas empresas italianas
A estratégia da Expo Village Italy reflete uma das características mais tradicionais da economia italiana: a enorme presença de pequenas e médias empresas familiares altamente especializadas.
Grande parte da força industrial da Itália é formada justamente por companhias de menor porte espalhadas por diversas regiões do país. Muitas delas se tornaram líderes mundiais em nichos específicos, especialmente em setores ligados ao Made in Italy, como gastronomia, design, moda, máquinas industriais e produtos artesanais.
Apesar da qualidade reconhecida internacionalmente, essas empresas frequentemente enfrentam obstáculos para acessar mercados complexos como o brasileiro sem apoio institucional ou presença local estruturada.
O modelo da Expo Village Italy já foi testado anteriormente em países como Estados Unidos, Holanda e Reino Unido, sempre com foco em facilitar o acesso de pequenas empresas italianas ao comércio internacional sem a necessidade de criar operações próprias no exterior.
Paraná surge como porta estratégica para investimentos italianos
A escolha do Paraná como ponto de entrada para o projeto não aconteceu por acaso. O estado possui forte presença da comunidade ítalo-brasileira e mantém relevância econômica importante dentro do cenário nacional.
Além disso, a relação histórica entre Itália e o sul do Brasil continua sendo um dos principais fatores de aproximação econômica entre os dois países.
Desde o final do século XIX, milhares de imigrantes italianos se estabeleceram em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, contribuindo diretamente para o desenvolvimento agrícola, industrial e comercial da região.
Agora, mais de um século depois, essa conexão histórica ganha uma nova dimensão econômica impulsionada pela retomada das negociações comerciais entre Europa e Mercosul.
Acordo UE-Mercosul começa a gerar efeitos concretos
A chegada da Expo Village Italy ao Brasil é vista como um dos primeiros movimentos empresariais concretos após a implementação provisória do acordo UE-Mercosul.
A expectativa é que o novo cenário facilite a entrada de produtos italianos no mercado sul-americano e reduza obstáculos que historicamente dificultavam a atuação de pequenas empresas europeias na região.
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