França enfrenta terceira onda de calor em poucas semanas e amplia alertas em quase todo o país

A França enfrenta sua terceira onda de calor em poucas semanas, com quase todo o território sob alerta laranja e temperaturas que podem chegar a 42°C. Especialistas alertam para o aumento da frequência desses eventos em razão das mudanças climáticas, enquanto incêndios, queda nas reservas de água e impactos na saúde ampliam a preocupação das autoridades.

A França voltou a enfrentar uma intensa onda de calor poucos dias após o fim do último episódio de temperaturas extremas. Esta é a terceira onda registrada no país em poucas semanas e levou a agência meteorológica Météo-France a colocar quase todo o território francês sob alerta laranja na última quarta-feira (8).

Segundo o órgão, o fenômeno é provocado pela combinação de um sistema de alta pressão com a chegada de uma massa de ar muito quente vinda do sul e do oeste da Europa. A previsão é de que o calor permaneça ao longo da semana, com temperaturas elevadas em diversas regiões do país.

Entre as máximas previstas estão 37°C em Paris, 38°C em Nantes e Limoges, 39°C em Lyon, 41°C em Montpellier e até 42°C em Perpignan, no sul da França. Apenas algumas áreas do norte, da costa do Canal da Mancha e do extremo leste escapam das temperaturas mais severas.

Ondas de calor se tornam cada vez mais frequentes

A nova onda ocorre poucos dias após o encerramento de outro episódio de calor intenso, registrado entre o fim de junho e o início de julho. De acordo com a Météo-France, embora aquela tenha durado menos tempo que a histórica onda de 2003, foi ainda mais intensa.

Com o novo episódio, a França soma 53 ondas de calor desde 1947. Desse total, mais da metade ocorreu a partir de 2010, evidenciando o aumento na frequência desses eventos.

Os números ilustram essa mudança. Enquanto uma pessoa nascida logo após a Segunda Guerra Mundial vivenciou 25 ondas de calor até 2010, um adolescente nascido naquele mesmo ano poderá enfrentar 28 episódios antes mesmo de completar 16 anos.

Mudanças climáticas alteram o cenário

Especialistas afirmam que episódios de calor extremo tendem a se tornar cada vez mais comuns nas próximas décadas.

Em entrevista à France Info, a climatologista Françoise Vimeux afirmou:

“Daqui a 25 anos, até 2050, se vivenciarmos essa mesma onda de calor, ela nos parecerá normal. E, no fim do século, provavelmente será considerada uma das ondas de calor ‘mais frias’.”

A declaração reforça o alerta de pesquisadores sobre os impactos das mudanças climáticas, que têm elevado tanto a intensidade quanto a frequência das ondas de calor em diferentes regiões da Europa.

Mortes, incêndios e impactos ambientais

Além do desconforto provocado pelas altas temperaturas, a onda de calor tem gerado consequências para a saúde pública e para o meio ambiente.

Segundo dados divulgados pela RFI, durante a onda registrada em junho houve aumento de quase 30% no número de mortes em todo o país e superior a 60% na região de Paris na semana de 22 de junho. As autoridades, no entanto, ainda não conseguiram determinar quantos desses óbitos tiveram relação direta com o calor extremo.

As temperaturas elevadas também aumentaram significativamente o risco de incêndios florestais.

Nos Pireneus Orientais, no sul da França, um incêndio destruiu aproximadamente 5 mil hectares de vegetação e obrigou a retirada de cerca de 12 mil pessoas. Outro foco de grandes proporções atingiu o departamento de Drôme, consumindo aproximadamente 1,4 mil hectares.

De acordo com a previsão oficial francesa, o risco de incêndios permanece em nível “muito alto” em parte do sul e do sudeste do país.

Reservas de água também preocupam

Outro reflexo da sequência de ondas de calor é a redução dos níveis das reservas subterrâneas de água.

O Serviço Geológico Francês (BRGM) informou que, em 1º de julho, 93% dos aquíferos apresentavam queda no nível de água, percentual superior aos 77% registrados um mês antes. Além disso, 54% estavam abaixo dos níveis considerados normais, indicando um agravamento das condições hídricas.

A expectativa da Météo-France é de que esta nova onda de calor comece a perder força apenas no próximo fim de semana.

Espanha também enfrenta temperaturas extremas

O calor intenso não atinge apenas a França. A Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (Aemet) também emitiu alerta vermelho para áreas da Catalunha, da Comunidade Valenciana e da província de Saragoça, onde as temperaturas podem variar entre 40°C e 42°C.

Segundo a agência, o nível máximo de alerta indica “perigo excepcional”, com possibilidade de impactos graves para a população e para o patrimônio.

Assim como ocorre na França, especialistas apontam que a sucessão de ondas de calor e a redução das chuvas favorecem a ocorrência de incêndios florestais e representam um dos principais efeitos das mudanças climáticas observados no sul da Europa.

 

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