70% dos italianos vão viajar em 2026, mas inflação muda planos de férias

Mesmo com inflação elevada e incertezas internacionais, 70% dos italianos pretendem viajar em 2026, segundo pesquisa do Instituto Piepoli. O estudo mostra, porém, um consumidor mais cauteloso: muitos reduziram orçamento, trocaram destinos e passaram a priorizar viagens dentro da própria Itália. Roma segue em crescimento turístico e continua atraindo investimentos bilionários no setor hoteleiro.

Mesmo diante da inflação elevada e das incertezas econômicas internacionais, os italianos continuam colocando as viagens entre as prioridades do ano. Um levantamento do Instituto Piepoli, divulgado pelo portal Sky TG24, mostra que 70% da população pretende viajar nos próximos quatro meses.

O dado confirma a força do turismo na cultura italiana, mas também revela um comportamento muito mais cauteloso na hora de organizar as férias.

A pesquisa aponta que mais da metade dos entrevistados (54%) mudou os planos de viagem por causa do cenário econômico e geopolítico atual. O aumento dos preços aparece como principal motivo de preocupação, especialmente em áreas como transporte aéreo, hospedagem e energia.

Férias continuam prioridade, mas com orçamento controlado

Os italianos não querem deixar de viajar, mas estão adaptando o estilo das férias à realidade econômica.

Segundo o estudo, 34% pretendem gastar menos nas viagens de 2026 em comparação ao ano passado. Já 48% afirmam que tentarão manter o mesmo orçamento, mesmo diante do aumento geral do custo de vida.

O resultado mostra um turista mais racional, menos impulsivo e muito mais atento ao planejamento financeiro.

Em vez de grandes viagens internacionais ou roteiros longos, cresce a busca por opções consideradas mais seguras financeiramente e mais próximas de casa.

Itália segue como principal destino

A preferência dos italianos continua sendo viajar dentro do próprio país.

De acordo com a pesquisa, 56% dos entrevistados escolheram destinos italianos para as férias de verão. Outros 29% pretendem viajar para países europeus, enquanto apenas 9% planejam viagens para fora da União Europeia.

Entre aqueles que mudaram os planos iniciais, muitos afirmaram ter priorizado segurança e praticidade.

Cerca de 23% disseram ter trocado o destino original por locais considerados mais seguros, enquanto 21% optaram por permanecer na própria Itália.

O comportamento reforça uma tendência que vem crescendo na Europa desde a pandemia: o fortalecimento do chamado turismo de proximidade, com viagens mais curtas, continentais e financeiramente mais previsíveis.

Cenário internacional influencia decisões

A situação global também pesa cada vez mais nas escolhas dos turistas italianos.

Segundo o levantamento, 67% afirmam que o contexto internacional influencia “muito” ou “bastante” o planejamento das férias deste ano.

Além da inflação, questões como conflitos internacionais, instabilidade econômica e aumento dos custos de transporte passaram a impactar diretamente o comportamento do consumidor europeu.

Na prática, isso significa turistas mais seletivos, reservas feitas com mais antecedência e maior preocupação com custos inesperados.

Roma continua crescendo no turismo

Apesar da cautela dos consumidores, o turismo segue sendo um dos motores da economia italiana, especialmente em cidades como Roma.

A capital italiana registrou 27,7 milhões de turistas em 2025, crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior. O número de pernoites também aumentou, alcançando 62,9 milhões.

A tendência positiva continua em 2026.

Nos dois primeiros meses do ano, Roma teve alta de 3,8% nas chegadas turísticas e crescimento de 2,8% nas hospedagens.

O impacto econômico é gigantesco. Apenas em 2024, o turismo movimentou cerca de 13,3 bilhões de euros na economia romana, consolidando a cidade como um dos destinos mais importantes da Europa.

Mercado de luxo continua em expansão

Mesmo com consumidores mais cautelosos, o turismo de luxo segue crescendo na Itália.

Roma foi recentemente apontada como a segunda cidade do mundo em novas inaugurações de hotéis ultra luxo, ficando atrás apenas de Londres.

A expectativa é que outras 14 estruturas premium sejam abertas ao longo de 2026.

O contraste mostra dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo: enquanto parte dos italianos reduz gastos e reorganiza viagens, o setor turístico continua atraindo investimentos bilionários e apostando em visitantes de alto poder aquisitivo.

Viagens seguem importantes para os italianos

Os números revelam uma mudança importante no comportamento dos consumidores italianos.

Viajar continua sendo visto como parte essencial da qualidade de vida, mas as escolhas agora passam por filtros mais rigorosos ligados a orçamento, segurança e estabilidade.

O turista italiano de 2026 continua disposto a fazer as malas, só que com muito mais planejamento antes de comprar a passagem.

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