O Banco de Portugal registrou um crescimento expressivo em seu balanço em 2025, impulsionado principalmente pela valorização do ouro no mercado internacional.
Segundo dados divulgados pela instituição, o total de ativos atingiu 211 bilhões de euros, um aumento de cerca de 20 bilhões em relação a 2024, equivalente a uma alta anual de 10,5%.
Valorização do ouro explica avanço
De acordo com o banco central, o principal fator para esse crescimento foi a forte alta no preço do ouro ao longo do ano.
“Esta evolução deve-se, essencialmente, ao efeito positivo da apreciação do preço do ouro (mais 46%), que foi parcialmente compensado pela redução do valor em títulos detidos para fins de política monetária, designadamente, Obrigações do Tesouro da República portuguesa.”
Portugal se destaca nesse cenário por possuir, proporcionalmente ao tamanho da economia, uma das maiores reservas de ouro do mundo.
Resultado segue negativo, mas melhora
Apesar do avanço no balanço, o banco continuou registrando prejuízo em 2025, embora menor que no ano anterior.
“O resultado antes de provisões e impostos (RAPI) de 2025 manteve-se negativo, em -304 milhões de euros, embora substancialmente menos negativo do que em 2024 (-1142 milhões de euros)”.
O relatório detalha que o resultado foi impactado por diferentes fatores:
“Esse prejuízo de 304 milhões de euros reflete, em grande medida, o impacto do resultado líquido da repartição do rendimento monetário do Eurossistema (-164 milhões de euros), dos prejuízos não realizados em operações financeiras (-95 milhões de euros) e dos gastos administrativos (222 milhões de euros)”.
Ao mesmo tempo, houve compensação parcial:
“Estes resultados foram apenas em parte compensados pela margem de juros positiva (182 milhões de euros), que evoluiu, de acordo com as taxas de juro de referência, de terreno negativo para positivo ao longo do ano.”
Provisões equilibram as contas
Mesmo com resultado negativo, o banco conseguiu fechar o balanço sem perdas líquidas relevantes graças ao uso de reservas acumuladas.
“As provisões acumuladas ao longo dos anos permitiram absorver este resultado, tal como sucedeu no ano anterior e equilibrar perfeitamente o balanço no final.”
A instituição reforça:
“O Banco voltou a utilizar a provisão para riscos gerais para cobertura integral do RAPI, tendo apurado um resultado antes de impostos (RAI) nulo”.
E conclui:
“O resultado líquido foi negativo em um milhão de euros, em resultado da redução de impostos diferidos ativos e da tributação autónoma”.
Custos operacionais aumentam
As despesas também cresceram no período, impulsionadas principalmente por custos com pessoal.
“As despesas de funcionamento do Banco ascenderam a 222 milhões de euros no ano passado, o que representa um aumento de 4,7%”.
Segundo o relatório:
“Esta variação reflete, entre outros fatores, a subida dos gastos com pessoal, devida, essencialmente, à atualização salarial”.
Banca portuguesa mostra solidez
O banco central também avaliou positivamente o sistema financeiro do país.
“A situação financeira dos bancos portugueses continuou a evoluir favoravelmente, beneficiando do enquadramento económico e do esforço de ajustamento do setor nos últimos anos”.
Além disso, destacou o papel da supervisão:
“Para garantir a solidez das instituições supervisionadas, o Banco de Portugal avaliou a respetiva resiliência financeira, modelo de negócio e governo interno e fomentou junto dos bancos e das instituições presentes no mercado a preservação de margens adequadas de capital e liquidez, assegurando que são capazes de absorver potenciais choques relacionados com o contexto macroeconómico”.
Economia reduz endividamento
No panorama geral da economia portuguesa, o relatório aponta estabilidade e continuidade no processo de desalavancagem.
“Com exceção dos particulares, a economia portuguesa continuou a reduzir o seu nível de endividamento”.
A dívida pública também apresentou melhora:
“O rácio da dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 3,8 pontos percentuais, para 89,7% no final de 2025, enquanto a posição de investimento internacional aumentou para -50,2% do PIB, ou seja, mais 8,7 pontos percentuais do que no final de 2024”.
Riscos externos seguem no radar
Apesar do cenário positivo, o banco alerta para os desafios externos.
“A economia portuguesa manteve as condições de estabilidade macroeconómica em 2025, embora persistam desafios estruturais ao seu crescimento potencial”.
Ainda assim, há uma avaliação mais otimista sobre a capacidade de resposta do país:
“A redução dos níveis de endividamento permite criar margem para acomodar choques adversos e eventuais deteriorações da posição cíclica da economia, o que é particularmente importante no atual contexto de elevada incerteza internacional”.
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